Histórias de Superação e Inclusão
Em um dia marcado pela emoção, o alagoano Manoel Lourenço de Oliveira, aos 77 anos, realizou um sonho que parecia inalcançável: aprender a ler e escrever. Pai de 12 filhos e com uma vida dedicada ao trabalho rural e à construção civil, ele recebeu seu certificado de alfabetização durante a formatura realizada neste domingo (11) em Feira de Santana. “Sempre quis estudar, mas a vida era dedicada apenas ao trabalho. Hoje, me sinto realizado e feliz”, declarou Manoel, com alegria no olhar.
Ao compartilhar histórias como a de Manoel, a secretária da Educação do Estado, Rowenna Brito, ressaltou a importância do programa de alfabetização. “Cada cidadão que aprende a ler e escrever conquista uma vitória que transforma sua vida e impacta a comunidade. A educação proporciona autonomia, dignidade e esperança”, enfatizou.
O Compromisso com a Erradicação do Analfabetismo
A Jornada de Alfabetização integra uma iniciativa nacional focada na erradicação do analfabetismo, utilizando o método cubano “Sim, Eu Posso!”, que se baseia nas experiências de vida dos educandos para facilitar o aprendizado. Na Bahia, o programa se estende a diversas cidades, incluindo Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista, com turmas formadas em áreas urbanas periféricas, comunidades rurais e grupos quilombolas e indígenas. O foco é promover o protagonismo social e valorizar a trajetória de cada aluno.
A coordenadora estadual do projeto em Feira de Santana, Vânia Vitória, destacou a importância do trabalho coletivo. “Levar a alfabetização para as comunidades é uma forma de reconhecer saberes, criar vínculos e garantir que o direito à educação chegue a quem sempre esteve à margem”, afirmou com convicção.
Superando Limitações
Entre os formandos, Anadir Lima de Jesus, de 46 anos, viveu sua primeira experiência escolar após enfrentar limitações decorrentes da paralisia infantil desde a infância. “Nunca tinha estudado. Essa foi a minha primeira sala de aula. Meu sonho sempre foi pegar a Bíblia e conseguir ler, e hoje isso já está se tornando realidade”, relatou emocionada.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi o responsável pela articulação do programa, que conta com parcerias do Ministério da Educação (MEC), da Universidade Estadual da Bahia (UNEB) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A Secretaria da Educação do Estado (SEC) também apoia a iniciativa. Cada certificado entregue durante a formatura reafirma que alfabetizar é abrir novas oportunidades, reconstruir histórias e demonstrar que nunca é tarde para aprender.
