Debate na ALBA aponta caminhos para políticas culturais permanentes
Na última audiência pública realizada no auditório da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), o foco foi a criação de um suporte permanente para as orquestras Afrosinfônica e Rumpilezz. O encontro “Sons da Bahia: Fomento para as Orquestras Afrosinfônica e Rumpilezz” trouxe à tona a necessidade de consolidar a publicização dessas formações, modelo que já é aplicado em outras experiências culturais do estado.
Durante a sessão, o maestro Ubiratan Marques, à frente da Afrosinfônica, destacou o papel fundamental das orquestras negras como patrimônio vivo da cultura brasileira. Para ele, cuidar dessas iniciativas é preservar as raízes que sustentam a música nacional. “A gente precisa cuidar dos nossos jardins. O mundo precisa conhecer Luiz Gonzaga, Pixinguinha e saber quem é Lazzo, Gerônimo, Roberto Mendes. A música brasileira só existe por conta dos terreiros”, afirmou, ressaltando a importância das matrizes afro-brasileiras como base da cultura musical do país.
Desafios e persistência na trajetória das orquestras negras
Ubiratan também chamou atenção para a ausência de apoio contínuo ao longo dos últimos vinte anos. “A gente vive há 20 anos do zero. Sem nenhum tipo de apoio permanente, mas representando a música brasileira dentro e fora do país”, revelou. Essa realidade é compartilhada por muitos artistas que lutam para manter vivas essas expressões culturais.
Emílio Souza, diretor institucional da Rumpilezz, reforçou essa perspectiva ao destacar as dificuldades cotidianas para manter os projetos ativos. “Muita gente vê as apresentações, mas poucas pessoas conhecem a batalha permanente para manter essas orquestras vivas”, contou, evidenciando o esforço por trás das cenas.
Reconhecimento e valorização da música sinfônica negra
Representando a Ancine, Paulo Alcoforado enfatizou a singularidade das duas orquestras, que desenvolvem uma tradição própria da música sinfônica negra brasileira, profundamente conectada à diáspora africana e à música de terreiro. “As orquestras Afrosinfônica e Rumpilezz influenciam hoje o pensamento e a criação da música brasileira. São iniciativas que unem pesquisa, composição autoral, formação artística e inovação estética”, destacou.
A deputada Olívia Santana, que conduziu a audiência, reforçou o objetivo de elaborar estratégias concretas para garantir a continuidade e sustentabilidade dessas orquestras. Segundo ela, a intenção é que o Governo da Bahia integre essas iniciativas às políticas públicas permanentes de cultura já vigentes, garantindo suporte estrutural e reconhecimento institucional.
Encontro celebra ancestralidade e a força da cultura baiana
O evento contou com uma apresentação conjunta das orquestras Afrosinfônica e Rumpilezz, acompanhada da participação de alabês, que simbolizam a ancestralidade e a importância da música de terreiro na formação da identidade cultural baiana. Artistas renomados como Lazzo Matumbi, Mateus Aleluia, Gerônimo Santana, Roberto Mendes e Roberto Barreto participaram do encontro, que também teve a presença de representantes da Funarte, Sepromi e diversos agentes culturais da região.
Com esse diálogo aberto e a mobilização em torno das orquestras negras, a Bahia reafirma seu compromisso com a valorização e a preservação de suas raízes culturais, buscando transformar o reconhecimento em políticas públicas efetivas e duradouras.
