Crise nas Casas Bahia impulsiona crescimento do varejo regional
O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia provocou um impacto significativo no setor de varejo e na indústria de eletrodomésticos e eletrônicos. A redução da presença da gigante abriu uma oportunidade para redes regionais disputarem clientes e fatias de mercado que antes eram dominadas pela companhia.
Nos últimos dias, lojas físicas próximas às unidades da Casas Bahia que fecharam registraram crescimento nas vendas entre 10% e 30%, segundo levantamento do Estadão. Esse movimento também é impulsionado pela indústria, que tem direcionado estoques antes destinados às Casas Bahia para redes regionais, oferecendo condições comerciais atrativas para acelerar a comercialização.
Redes regionais ganham força entre fabricantes e consumidores
As redes regionais, em sua maioria familiares, conquistaram maior confiança dos fabricantes de eletrodomésticos e eletrônicos. Elas são consideradas um porto seguro para as vendas, especialmente em um cenário de juros elevados, já que operam com menos capital de terceiros e apresentam menor risco de inadimplência.
Marcio Pauliki, CEO da rede MM, destaca que a agilidade dessas empresas decorre da proximidade entre dono e operação, o que garante decisões rápidas diante dos desafios. A MM, com sede em Ponta Grossa (PR), possui mais de 230 lojas em estados como Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e interior de São Paulo. Em 2025, a rede faturou R$ 1,8 bilhão e projeta fechar 2026 com R$ 2 bilhões em vendas.
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Além da fidelidade dos clientes, a rede MM utiliza um carnê próprio para financiar as vendas, o que reduz as restrições de crédito impostas pelo sistema financeiro tradicional. Nos últimos meses, a empresa recebeu propostas vantajosas de grandes fabricantes para ampliar o volume de vendas, incluindo o regime de consignação, onde o pagamento é feito conforme os produtos são vendidos.
Expansão e absorção de profissionais desligados das Casas Bahia
Outro grupo familiar, com sede em Douradina, no norte do Paraná, atua há 60 anos no varejo de eletromóveis, com 400 lojas em nove estados, incluindo Rondônia, Acre, Manaus e Mato Grosso do Sul. A empresa também opera no atacado e na fabricação de colchões, com expectativa de faturar R$ 14 bilhões em 2026, metade desse valor oriundo do varejo.
Diante da escassez de mão de obra qualificada no setor, parte dos cerca de 3 mil funcionários demitidos pelas Casas Bahia pode ser absorvida pelas redes regionais. A MM já recebe currículos de vendedores experientes e planeja preencher 300 vagas, entre atuais oportunidades e contratações temporárias para o fim do ano.
Além do reforço no quadro de funcionários, a MM negocia a locação de seis pontos comerciais de lojas fechadas das Casas Bahia nas cidades de Blumenau (SC), Chapecó (SC), Naviraí (MS), Ponta Grossa (PR), Curitiba (PR) e Ourinhos (SP). Para atrair a clientela órfã da varejista, a empresa prepara uma promoção agressiva que oferece bonificação na primeira prestação ou brindes para quem pagar boletos da Casas Bahia ou concorrentes e fizer compras no carnê da MM.
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Desafio para o varejo regional substituir gigante do setor
A Casas Bahia liderava o segmento de eletrodomésticos e móveis no Brasil, com 30% das vendas de linha branca, 25% em TVs e 15% em eletroportáteis. A crise da empresa, que acumula uma dívida de R$ 17,3 bilhões, sendo R$ 5,8 bilhões com grandes fabricantes do setor, representa um desafio para o varejo regional preencher esse vácuo.
A Eletros, associação que reúne os fabricantes, acompanha atentamente o processo de recuperação judicial da Casas Bahia e seus impactos na cadeia de fornecedores. A entidade ressalta a importância da companhia para o varejo nacional e o grau de preocupação que sua situação gera entre as empresas parceiras.
O movimento de redes regionais como MM e outras, especialmente em cidades como Chapecó (SC), Naviraí (MS) e Ourinhos (SP), sinaliza uma transformação no mercado de eletrodomésticos, com reflexos diretos no emprego, renda e dinâmica comercial dessas regiões.
