Desafios para a Oposição na Bahia
Na última semana, o União Brasil iniciou a veiculação de campanhas publicitárias para promover o pré-candidato ao governo, ACM Neto, na televisão baiana. A estratégia de marketing se baseia na imagem de um gestor urbano eficiente, mas com uma forte ênfase em uma narrativa antipetista. O grande desafio, no entanto, é que essa abordagem parece ressoar com o eleitorado que já apoia Neto, mas não necessariamente com aqueles que definirão o resultado das próximas eleições.
Analisando os dados de correlação e dispersão nos três principais territórios da Bahia, fica clara a dificuldade enfrentada pela oposição. Juntos, os territórios Metropolitano de Salvador, Portal do Sertão e Sudoeste Baiano representam cerca de 35,96% do total de eleitores no estado. No Metropolitano de Salvador, Neto obteve vitória em apenas 5 dos 13 municípios, o que demonstra um cenário desafiador para o ex-prefeito.
A força de Lula nessas regiões é um indicativo significativo: em São Sebastião do Passé, o ex-presidente alcançou impressionantes 86,5%; em São Francisco do Conde, a aprovação foi de 84,4%; e em Candeias, chegou a 82,3%. De fato, em locais onde Neto venceu Jerônimo, Lula ainda obteve mais de 67% dos votos, atingindo 70,7% na capital. O voto na região metropolitana em 2022 foi mais ideológico do que meramente transacional, o que sugere que a presença de Lula nas urnas em 2026 pode se traduzir em uma predição robusta de votos na Bahia.
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O Cenário no Portal do Sertão
No território do Portal do Sertão, Jerônimo triunfou em 16 dos 17 municípios, e Lula ultrapassou os 73% em todos eles. Em Antônio Cardoso, a aprovação de Lula alcançou 89,7%; e em Teodoro Sampaio, 89,5%. Nos 16 municípios restantes, Neto não obteve sequer 50% dos votos, com porcentagens variando entre 36% e 38%, enquanto Lula se manteve entre 79% e 89%. Feira de Santana se destaca como um enclave eleitoral que contrasta fortemente com a região ao seu redor, mas não cria um cenário favorável para a oposição.
Força de Lula no Sudoeste Baiano
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Já no Território Sudoeste Baiano, ACM Neto obteve vitória apenas em Vitória da Conquista, com 59,1% dos votos. Em contrapartida, Lula superou a marca de 87% em cidades como Caetanos (89,3%) e Bom Jesus da Serra (88,0%). Nos municípios intermediários, Lula teve uma oscilação entre 73% e 79%, o que revela uma base petista sólida que não responde de maneira significativa às variações no desempenho da oposição.
Com que evidências ACM Neto acredita que poderá vencer sem dialogar com o eleitor que reconhece a força representacional de Lula na Bahia? A quebra com o lulismo pode resultar em uma repetição confusa das estratégias anteriores, como as de 2022. O risco para a oposição é ainda maior agora, uma vez que o campo governista se apresenta mais coeso e radicalizado em 2026, contando com uma chapa majoritária composta por três ex-governadores: Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues. Essa união torna o alinhamento com o governo federal um trunfo eleitoral estratégico para o campo governista, consolidando a Bahia como um bastião para a reeleição de Lula. A questão que permanece é: ACM Neto continuará a negar a força do lulismo na Bahia?
