Consequências da Marcha do MST em Feira de Santana
Nesta sexta-feira (17/04/2026), Luiz Carlos de Carvalho Bahia Neto, conhecido como Neto Bahia e presidente da União Agro Bahia (UNAGRO), fez críticas contundentes à marcha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que percorreu diversos municípios da Bahia ao longo da semana. Importante ressaltar que a manifestação foi realizada na qualidade de presidente da UNAGRO, não na função de secretário de Governo do município de Feira de Santana. Em seu relato, ele destacou os impactos no trânsito, prejuízos ao comércio local e transtornos enfrentados pela população, além de questionar as intenções políticas da mobilização.
Segundo Neto Bahia, a mobilização teve início na segunda-feira (13/04/2026), quando os manifestantes atravessaram o centro de Feira de Santana durante o horário comercial, provocando um forte impacto na dinâmica urbana. “A semana começou diferente em Feira de Santana; na segunda-feira, horário comercial, a cidade foi invadida por uma marcha do MST que cortou o centro da cidade”, relatou.
A passagem do grupo, segundo o presidente da UNAGRO, resultou em engarrafamentos, congestionamentos e dificuldades de circulação, comprometendo atividades econômicas e compromissos pessoais da população. Entre os principais efeitos mencionados estão:
- Atrasos em compromissos profissionais
- Dificuldades de acesso a serviços essenciais
- Impacto direto no comércio local
- Interferência no fluxo urbano em horário de pico
- Transtornos e dificuldades de deslocamento até Salvador
Ainda em seu depoimento, o dirigente rural informou que a marcha seguiu em direção à capital baiana durante a semana, causando engarrafamentos e levando algumas pessoas a perder voos, consultas médicas e audiências.
Ele também mencionou que integrantes do movimento teriam pernoitado em propriedades privadas ao longo do caminho, sem a autorização dos proprietários. “Dormindo em propriedades privadas, entrando nessas propriedades, invadindo sem autorização”, relatou, acentuando a gravidade da situação.
Ocupação em Salvador e Questionamentos sobre Recursos
Neto Bahia informou que, ao final da mobilização, o grupo do MST estava em Salvador, onde teria realizado a ocupação de um prédio público do Governo do Estado. “Hoje, esse grupo do MST encontra-se em Salvador ocupando um prédio público do Governo do Estado”, destacou. Ele também trouxe à tona dados sobre financiamento e uso de terras vinculadas à reforma agrária, questionando a legitimidade das reivindicações do movimento. “O MST recebeu, só em 2025, quase 750 milhões de reais do Governo Federal”, ressaltou. Além disso, ele mencionou que o movimento ocupa cerca de 30% de toda a área agricultável do Brasil, o que corresponde a praticamente 90 milhões de hectares.
Essas informações foram utilizadas para reforçar a ideia de que o movimento não enfrenta limitações estruturais relacionadas à terra ou ao financiamento, o que poderia levantar dúvidas sobre a validade de suas demandas.
Críticas e Posicionamento Político
Ao final de seu depoimento, Neto Bahia fez uma análise crítica das mobilizações do MST, sugerindo que as ações estariam fortemente ligadas a interesses políticos. “O problema é político, é manobra política. As lideranças do MST utilizam essa massa para angariar espaço no governo”, afirmou, expressando seu descontentamento com os eventos que ocorreram durante a semana. Ele manifestou um repúdio claro a esses acontecimentos: “Passo para deixar uma menção de repúdio por esse absurdo que aconteceu e vem acontecendo ainda na Bahia”.
Em sua conclusão, o dirigente defendeu a necessidade de um desenvolvimento baseado na produção econômica e na livre circulação. “A Bahia é para aqueles que querem ir, que querem vir, que querem produzir e que querem continuar desenvolvendo a economia desse Estado”, finalizou.
Contexto da Atuação do MST
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é uma das mais proeminentes organizações sociais do Brasil, com uma longa trajetória na defesa da reforma agrária e na promoção de políticas voltadas para a agricultura familiar. Suas ações incluem marchas, ocupações e mobilizações públicas, frequentemente envolvidas em debates sobre a legalidade, a função social da terra e as políticas públicas rurais. O movimento mantém um papel ativo em pautas relevantes, como regularização fundiária, assentamentos rurais, produção agrícola familiar e programas de incentivo à agricultura, mas suas ações continuam a gerar controvérsia entre setores do agronegócio e autoridades públicas, especialmente quando causam impactos diretos em áreas urbanas.
