Uma Celebração à Cultura e à Geração de Renda
O 39º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, com o tema “Patrimônio Criativo: Inclusão Produtiva, Trabalho e Renda”, foi oficialmente lançado no dia 3 de outubro. O evento aconteceu na Universidade de Brasília (UnB) e também marcou a abertura das inscrições para a edição de 2026. Os interessados podem inscrever seus projetos até o dia 24 de abril, através do site premiorodrigo.iphan.gov.br.
Promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o prêmio tem como objetivo reconhecer ações que se destacam na preservação e promoção do Patrimônio Cultural brasileiro. Neste ano, os projetos que serão considerados são aqueles realizados entre 2023 e 2025 e que demonstrem impacto na valorização de ofícios, na qualificação para atividades criativas, na remuneração justa e na inserção profissional da juventude.
Reflexão sobre o Emprego na Cultura
O presidente do Iphan, Leandro Grass, enfatizou a relevância do tema em um momento em que o Brasil discute questões relacionadas ao trabalho. “Estamos propondo um debate sobre a condição dos trabalhadores, incluindo aqueles que atuam na cultura. A ideia é que todos tenham mais tempo para vivenciar suas comunidades e cultivar suas espiritualidades”, destacou Grass.
A cerimônia de lançamento também prestou homenagens aos 18 vencedores do ano anterior, cujo tema foi “Patrimônio Cultural, Territórios e Sustentabilidade”. Essa edição enfatizou a valorização dos territórios e a promoção da sustentabilidade em seus aspectos sociais, ambientais e econômicos. “Os premiados têm a oportunidade de compartilhar suas experiências, incentivando a inscrição de novos projetos”, comentou Cejane Pacini, diretora do Departamento de Articulação, Fomento e Educação do Iphan.
Temas que Fazem a Diferença
Desde 1987, o Prêmio Rodrigo se destaca por reconhecer e promover ações que protegem o patrimônio cultural no Brasil. O concurso não apenas premia, mas também reflete uma evolução no perfil dos proponentes e na forma como projetos de preservação são elaborados. Nos últimos anos, os temas abordados fizeram com que grupos historicamente marginalizados se tornassem visíveis, impactando diretamente as propostas apresentadas.
Por exemplo, em 2023, o foco foi em Educação, Democracia e Igualdade Racial, com 66% dos proponentes se identificando como pretos ou pardos. No ano seguinte, a visibilidade de gênero na economia do patrimônio destacou que 70,8% dos inscritos eram mulheres, o maior percentual já registrado. Em 2025, 78% das ações premiadas vieram das regiões Norte e Nordeste, evidenciando a inclusão de vozes diversas.
Desafios para a Sustentabilidade do Patrimônio
A edição de 2026 enfrenta um desafio crucial: a sustentabilidade econômica das iniciativas culturais. Dados da Pesquisa Patrimônio Cultural, Economia e Sustentabilidade revelam que 64% dos agentes culturais consideram a dificuldade financeira como principal risco para a preservação do patrimônio. Embora 46% destes profissionais dediquem mais de 40 horas semanais à cultura, apenas 27% conseguem sustentar-se exclusivamente dessa atividade. O tema atual do prêmio visa mostrar que a preservação cultural pode ser uma fonte de renda e valorização de ofícios tradicionais, abrindo novos horizontes para a juventude.
Como Funciona o Prêmio?
Na 39ª edição, serão selecionadas 18 ações exemplares, cada uma recebendo um prêmio de R$ 40 mil como reconhecimento e incentivo ao trabalho realizado. As inscrições podem ser feitas em uma das quatro categorias: pessoas físicas, microempreendedores, cooperativas e associações, ou entidades da administração pública.
O concurso será dividido em três etapas: habilitação, estadual e nacional. A primeira etapa avaliará a documentação e os requisitos formais. As propostas habilitadas avançarão para a etapa estadual, onde comissões seletivas escolherão as melhores ações. A fase final envolverá a análise técnica das propostas, culminando na divulgação dos 18 premiados até o dia 16 de outubro.
Promoção da Inclusão na Fronteira
Uma novidade nesta edição é que ações realizadas nos municípios da Faixa de Fronteira ganharão pontos extras na avaliação, buscando ampliar o reconhecimento para além das áreas litorâneas. O Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade tem um papel fundamental na valorização das iniciativas que promovem o patrimônio cultural brasileiro, contribuindo para um futuro mais inclusivo e sustentável.
