O protagonista de uma nova era
O talentoso ator feirense Hilton Cobra é a nova estrela da novela das 18h da TV Globo, “A Nobreza do Amor”, que teve sua estreia nessa segunda-feira (16). Na trama, Hilton interpreta Chinua, um conselheiro sábio de Batanga, um reino fictício situado na África. Em entrevista ao portal Acorda Cidade, Cobra compartilhou que sua participação na novela surgiu a partir de um convite especial feito pelos autores Duca Rachid e Elísio Lopes Junior.
Chinua não será apenas um personagem qualquer; ele se posiciona como um dos líderes da resistência contra o antagonista Jendal, vivido por Lázaro Ramos, que tomou o controle de Batanga. O conselheiro também terá um papel fundamental ao apoiar a rainha Niara, interpretada por Érika Januza, e a princesa Alika, interpretada por Duda Santos, na luta para recuperar o trono.
“É um papel extraordinário e muito intrigante”, descreveu Hilton, que também é conhecido como Cobrinha.
Uma narrativa poderosa
A novela “A Nobreza do Amor” marca um importante passo na história da teledramaturgia brasileira, ao trazer à tona personagens negros como reis, rainhas e intelectuais em um retrato positivo da África. Hilton Cobra é acompanhado por outros talentos da TV, como a renomada atriz Zezé Motta.
Ao longo de mais de 70 anos de novelas no Brasil, essa produção se destaca por apresentar um retrato realista de um continente com 54 países, refletindo a diversidade cultural, religiosa e populacional da África. Esta narrativa é um marco significativo nas décadas de luta por uma representação justa de negros nas telas, tanto na frente quanto atrás das câmeras.
“É uma oportunidade de mostrar ao povo brasileiro, especialmente à nossa população negra, que soma 120 milhões neste país, de onde vieram suas origens e a riqueza da cultura africana”, afirmou Hilton. O ator ressaltou a importância de abrir espaço para que os brasileiros conheçam mais sobre suas raízes africanas.
Os desafios da representatividade
Apesar do avanço na visibilidade negra nas novelas, Hilton Cobra enfatiza que ainda existem limitações. “É fundamental que continuemos a lutar por mais espaços. Isso não é um favor, mas um direito. Estamos nessa batalha há muito tempo, e é necessário que haja uma representatividade significativa em todas as áreas, incluindo jornalismo, cultura e artes”, destacou.
A construção de Chinua
Para interpretar Chinua, Hilton passou por uma intensa preparação, que incluiu treinamentos de corpo e voz. “Foi essencial incorporar o personagem e deixá-lo se revelar através de mim, utilizando minha técnica e experiência”, explicou o artista.
Com uma carreira sólida no teatro, Hilton também teve papéis de destaque em produções anteriores, como Cata Ouro na novela “Fuzuê” e Orlando na série “Vicky e a Musa”, disponível no Globoplay. Ele notou uma tendência em receber papéis de personagens mais velhos e sábios, percebendo uma conexão entre eles.
Companhia dos Comuns: um legado
Em 2001, Hilton fundou a Companhia dos Comuns, uma companhia de teatro negro carioca, em resposta à falta de representação e oportunidades para artistas negros no Brasil. “Foi um movimento necessário para unir várias iniciativas de teatro negro e criar um espaço de discussão e promoção da dramaturgia”, contou.
A Cia dos Comuns não só se concentra em produções teatrais, mas também em ações que promovem a consciência política através da arte. Hilton lembrou que “o que sempre buscamos foi retratar a vida da população negra brasileira no palco e, através de nosso trabalho, conseguimos isso com a contribuição de muitos artistas”.
Conexões com a terra natal
Antes de se dedicar à atuação, Hilton teve outras experiências profissionais em sua cidade natal. Ele até trabalhou como assistente no departamento pessoal de um famoso hotel, o extinto Feira Palace Hotel. Atualmente, suas visitas a Feira de Santana são para reencontrar familiares, já que a maioria deles reside na cidade. Hilton expressou seu desejo de fortalecer os laços com a cultura local, afirmando que “Feira precisa de atenção em relação à arte e às suas tradições”.
Por fim, Hilton Cobra deixou uma mensagem de encorajamento para seus colegas artistas de Feira: “A arte é a verdadeira liberdade, capaz de transformar qualquer coisa. Cuidem bem deste ofício, pois ele é uma forma de expressar emoções e vivências”, finalizou.
