Debate Urgente em Catu
Um evento significativo ocorreu na última terça-feira, 17 de março, em Catu, um município que se destacou ao unir educação, segurança pública e saberes ancestrais em uma roda de conversa essencial. Estudantes do CETIC – Colégio Estadual de Tempo Integral – participaram de um debate urgente sobre a violência contra a mulher, a desconstrução da cultura do estupro, da misoginia e do patriarcado, temas ainda enraizados em nossa sociedade.
A iniciativa foi liderada pela policial civil Carla Sandra, que convidou figuras proeminentes da segurança, da educação e da comunidade para dialogar com os alunos. O objetivo era claro: fomentar a reflexão, promover uma escuta ativa e estabelecer uma construção coletiva de caminhos que levem a uma sociedade mais justa, onde as mulheres possam viver com dignidade, respeito e igualdade, especialmente nos espaços de poder.
O evento contou com a presença da tenente Roberta Mascarenhas, da educadora Ana Teixeira, do diretor escolar Apoena Júlio e do cacique e escritor honoris causa Juvenal Payayá, que trouxe uma dimensão única ao debate ao integrar saberes ancestrais com a discussão contemporânea.
Importância da Educação na Prevenção
Durante a conversa, a tenente Roberta enfatizou como é crucial abordar esses temas no ambiente escolar. Ela argumentou que ao levar a perspectiva de segurança pública para dentro da sala de aula, os alunos ampliam sua compreensão sobre a seriedade da violência de gênero. “A educação é uma das principais formas de prevenção. Ao trazer diferentes vozes para esse debate, estamos dando legitimidade e profundidade à discussão. É essencial desnaturalizar essas práticas e estimular o empoderamento das mulheres, para que reconheçam os sinais de violência e busquem ajuda”, comentou.
Carla Sandra, a idealizadora do evento, destacou a escolha de Juvenal Payayá como uma decisão simbólica e estratégica. Para ela, discutir um tema tão complexo exige não apenas informação, mas também sensibilidade e conexão com valores coletivos. “A ancestralidade nos ensina que a violência não afeta apenas o indivíduo, mas todo o equilíbrio social. Trazer essa perspectiva ajuda os estudantes a entenderem as raízes históricas e culturais desses problemas. Mais do que apenas denunciar, precisamos apontar caminhos de cura e transformação”, afirmou.
O Papel das Novas Gerações
A educadora Ana Teixeira também ressaltou a relevância das novas gerações nesse contexto e o impacto que as redes sociais exercem sobre o comportamento dos jovens. “Precisamos compreender como a juventude está sendo influenciada por discursos de ódio e misoginia. Muitos se sentem atraídos por esses grupos em busca de pertencimento. É fundamental esclarecer que o feminismo não se opõe aos homens, mas é um movimento por igualdade. A resistência a essa igualdade frequentemente resulta em violência”, explicou.
Ela reforçou a importância do ambiente escolar como um espaço estratégico para essas discussões, pois reúne diversas realidades e possibilita a construção de uma consciência coletiva. “A educação sozinha não resolve todos os problemas, mas sem ela é impossível enfrentar essa escalada de violência que vivemos”, concluiu.
Programação Ampla e Inclusiva
A programação do dia foi além das paredes do CETIC. À tarde, a Biblioteca Municipal de Catu recebeu uma palestra e uma sessão de autógrafos com Juvenal Payayá, aprofundando ainda mais o debate e destacando aspectos delicados que a sociedade ainda precisa enfrentar. À noite, o diálogo se expandiu com uma roda de conversa voltada para estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), envolvendo um público que também lida diariamente com os efeitos do machismo estrutural e das desigualdades de gênero.
O evento se consolidou como um marco no município, promovendo um debate intergeracional, plural e necessário, reafirmando que o enfrentamento à violência contra a mulher passa, acima de tudo, pela conscientização coletiva, pela educação e pela coragem de romper com estruturas históricas que ainda buscam silenciar e oprimir.
Mais do que um simples encontro, a ação representou um chamado à responsabilidade social — um convite urgente para que escola, família e sociedade se unam na construção de uma cultura de paz, respeito e igualdade.
