O Crescente Interesse por canetas emagrecedoras
Em março de 2026, governos e prefeituras das principais cidades da Bahia deram início a programas destinados a oferecer canetas emagrecedoras na rede pública de saúde. Este movimento, embora promissor, enfrenta debates e etapas distintas de implementação, conforme cada estado. Na Bahia, a Câmara de Vereadores de Feira de Santana aprovou um Projeto de Lei que garante a distribuição gratuita da tirzepatida, medicamento conhecido popularmente como “Mounjaro”, utilizado no tratamento da obesidade.
Entretanto, vale destacar que a caneta será utilizada para tratar diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos na rede municipal de saúde. Após essas aprovações e discussões, o Bahia Notícias buscou informações junto às prefeituras das quatro maiores cidades da Bahia para verificar a viabilidade da implementação dessa medida.
Desafios na Capital
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Rodrigo Alves, secretário de Saúde de Salvador, revelou em entrevista que, apesar dos debates em torno do tema, não há planos para introduzir essas canetas na capital baiana. Segundo ele, a gestão está focada em cumprir compromissos previamente estabelecidos com a população durante a campanha do prefeito. “Discussão existe. Mas o nosso compromisso é com aquilo que foi pactuado pelo prefeito com a população de Salvador”, destacou Alves.
Além disso, o secretário tocou em um ponto crucial: a necessidade de discutir a desoneração dos custos dos medicamentos em nível federal, para que o Sistema Único de Saúde (SUS) consiga fornecer esses tratamentos de forma efetiva. “O Brasil precisa fazer a desoneração do custo desses medicamentos para que o SUS possa passar a ofertar. A incorporação de novos medicamentos tem uma ordem que parte do ministério”, explicou.
Feira de Santana e o Olhar Crítico sobre o Uso das Canetas
A Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana comentou que está em fase de avaliação técnica, assistencial, jurídica e orçamentária para decidir como a oferta da tirzepatida poderá ser estruturada na rede pública municipal, caso o projeto seja sancionado. A gestão enfatizou que o uso de medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade não deve ser encarado como uma solução isolada. “Qualquer possibilidade de oferta precisa estar inserida em uma política pública específica, com critérios claros de indicação e acompanhamento”, disse a equipe da secretaria.
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A Secretaria também ressaltou a importância de integrar o uso do medicamento com outras iniciativas de saúde, visando um tratamento holístico da obesidade, que deve envolver acompanhamento médico, nutricional e psicológico, além da promoção de atividade física.
Vitória da Conquista e a Abordagem Holística
Por sua vez, Vitória da Conquista, a terceira cidade mais populosa do estado, informou que atualmente os tratamentos disponíveis para a obesidade concentram-se na mudança de hábitos, suporte nutricional e atividade física. “A estratégia do município é pautada pela Linha de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade, priorizando intervenções que precedem o uso de qualquer medicamento”, destacou a secretaria local.
Atualmente, a administração municipal segue rigorosamente as diretrizes do Ministério da Saúde, e os medicamentos como a liraglutida, que foi incorporada ao SUS em 2020, têm suas aplicações restritas a casos específicos, como pacientes com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular.
Camaçari e a Dependência de Normatização
Camaçari, localizada na Região Metropolitana de Salvador, também acompanha as discussões sobre canetas emagrecedoras. Em nota, a Secretaria de Saúde local mencionou que a oferta desses medicamentos dependerá da regulamentação dos órgãos competentes, especialmente da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). “A oferta no SUS municipal está condicionada às diretrizes estaduais e federais, e qualquer nova medida será adotada com base em critérios técnicos e na segurança dos pacientes”, pontuou a secretaria.
Com essa visão abrangente e as diferentes abordagens das prefeituras baianas, o debate sobre a oferta de canetas emagrecedoras na saúde pública continua, refletindo a complexidade de se implementar novas políticas de saúde em um contexto de crescente obesidade e demandas por tratamentos eficazes.
