O Municipalismo em Foco
Nos últimos anos, a política baiana tem visto um resgate do conceito de municipalismo, particularmente em relação ao legado de Antônio Lomanto Jr., governador da Bahia entre 1963 e 1966. Em 1962, Lomanto venceu Waldir Pires (PSD) em uma campanha marcada por sua conexão com os municípios, algo que, segundo analistas, poderia estar se repetindo nas atuais pré-campanhas da chapa majoritária que se aproxima das eleições de 2026. Apesar das semelhanças, é essencial reconhecer que cada período possui características próprias que influenciam o comportamento eleitoral.
Recentemente, tanto ACM Neto, após o apoio do prefeito de Jequié, Zé Cocá, quanto o governador Jerônimo Rodrigues, têm adotado posturas que se assemelham às de Lomanto, reforçando a importância do municipalismo em suas plataformas de campanha. Essa conexão com os municípios, embora revivida, acontece em um contexto completamente diferente do de 1962.
A Evolução dos Municípios e das Comunicações
Atualmente, os municípios da Bahia possuem uma estrutura e autonomia muito mais robustas em relação àquela época, quando a centralização em Salvador dificultava o acesso do interior ao governo. A economia, que antes dependia fortemente do cultivo do cacau, agora é impulsionada por setores como a petroquímica, especialmente na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Além disso, o estado se modernizou com melhorias em sua infraestrutura, incluindo estradas e aeroportos, transformando o perfil das cidades, especialmente Salvador, que passou por intensas mudanças urbanas desde os anos 70.
O novo municipalismo defendido por ACM Neto está simbolizado pelo apoio do prefeito de Jequié e pela articulação do neto de Lomanto, deputado federal Leur Lomanto Jr. Essa estratégia busca unir forças de grandes cidades do interior como Feira de Santana, Vitória da Conquista e Ilhéus. Por sua vez, Jerônimo Rodrigues segue uma abordagem que remete ao que foi feito com Rui Costa em 2022, reforçando convênios com municípios para facilitar parcerias e promover desenvolvimento local.
Comunicação e Mobilização na Era Digital
A comunicação política também evoluiu drasticamente desde 1962. Naquele ano, os principais meios de comunicação eram impressos e rádios, sendo que jornais como A Tarde desempenharam um papel crucial na campanha de Lomanto, ajudando a moldar a opinião pública com informações e narrativas sobre a concorrência. A Igreja Católica, por sua vez, teve um papel significativo, alertando a população sobre a suposta tendência comunista de Waldir Pires, uma acusação que tinha forte impacto na época.
Hoje, o panorama midiático é dominado pelas redes sociais, que possibilitam uma comunicação mais direta e ágil, permitindo que cidadãos comuns produzam e compartilhem conteúdos. Isso trouxe novas dinâmicas para as campanhas eleitorais, com a necessidade de um planejamento estratégico que leva em consideração a rápida circulação de informações e a vigilância constante sobre as ações dos candidatos.
Desafios e Oportunidades
Tanto ACM Neto quanto Jerônimo Rodrigues enfrentam o desafio de adaptar suas mensagens a uma sociedade em constante transformação, onde as expectativas do eleitor se alteram rapidamente. O antigo ditado de que “o interior marcha para a capital” não se sustenta mais, e promessas de melhorias locais precisam ser acompanhadas de ações concretas. A lembrança de promessas não cumpridas, como a de combater a fome, pode ser um risco significativo para os candidatos, que devem estar atentos à realidade de seus eleitores.
Além disso, a legislação eleitoral atual é mais rigorosa do que a de 1962, com um controle mais efetivo sobre as campanhas e a necessidade de maior transparência. Por isso, os profissionais de marketing político estão sempre em busca de novas estratégias para engajar o eleitorado, usando dados e insights para direcionar suas campanhas de forma mais eficaz.
Conclusão
A comparação entre as campanhas de Lomanto em 1962 e as atuais pré-campanhas de 2026 revela como o municipalismo e a comunicação política evoluíram ao longo das décadas. O fortalecimento dos municípios e a transformação na maneira como as informações são disseminadas representam não apenas um desafio, mas também uma oportunidade para candidatos que souberem se adaptar a essa nova realidade, promovendo um diálogo mais próximo e direto com a população.
