Celebração da Cultura Quilombola
Na última edição da 12ª Festa de Emancipação do Distrito da Matinha, em Feira de Santana, as majestades quilombolas marcaram presença, simbolizando a valorização da identidade, cultura e história dessa comunidade rica em tradições. Durante a festividade, o público teve a oportunidade de conhecer o atual Mister Quilombola, Yuan Ferreira, e a Miss Quilombola, títulos que foram conquistados através de um processo formativo e cultural muito especial.
Com apenas 19 anos, Yuan Ferreira, coroado como Mister Quilombola, expressou a alegria de sua conquista, ressaltando que o prêmio é fruto de um intenso aprendizado sobre as raízes culturais de Matinha. “Foi uma trajetória gratificante. Durante três meses, pude me aprofundar nas histórias e nas tradições do nosso distrito. No dia da final, eu não imaginava que iria ganhar, mas a minha surpresa foi enorme ao ser coroado como o novo Mister Quilombola”, disse ele em um momento de emoção.
Outro destaque do evento foi a participação de Karoline Costa, que conquistou o título de terceira Miss Quilombola. Ela enfatizou a relevância do concurso para o fortalecimento da identidade negra e quilombola na região. “É crucial que a gente ressalte a nossa cultura e identidade, reconhecendo nossa história como povo preto quilombola e exaltando a beleza negra, que historicamente luta por mais visibilidade”, declarou Karoline.
Importância do Concurso para a Comunidade
Padre Ibrahim, figura central na organização do desfile, destacou que o concurso Miss e Mister Quilombola é uma iniciativa da Pastoral Afro-Brasileira da paróquia, cujo objetivo é valorizar a rica história da comunidade através de atividades formativas e culturais. “Esse concurso busca um diálogo reflexivo e formativo sobre a história da nossa comunidade. Ao longo de três meses, realizamos encontros com os mais velhos do distrito e com professores universitários da área de história, proporcionando um espaço para fortalecer a identidade e a autoestima dos participantes”, explicou.
Segundo o padre, a coroação das majestades é um símbolo do reconhecimento das raízes históricas do povo quilombola. “Essa coroação representa que somos descendentes de reis e rainhas. Após três meses de formação, elegemos os representantes que, durante um ano, se envolvem em encontros formativos e diversas atividades comunitárias”, completou ele.
A terceira edição do concurso foi finalizada em novembro do ano passado, e a próxima está prevista para iniciar em julho, com uma programação formativa que se estenderá até o mês da Consciência Negra, quando ocorrerá a nova coroação.
A Festa de Emancipação e Suas Tradições
A presença das majestades quilombolas não apenas enriqueceu a celebração, mas também reafirmou o caráter cultural da Festa de Emancipação da Matinha, que além de comemorar o aniversário do distrito, celebra a identidade e as tradições de sua comunidade. Este evento é mais do que uma festividade, é uma afirmação de resistência e valorização cultural, onde cada detalhe reflete a história e os desafios superados pelos quilombolas ao longo dos anos.
