A Importância do Sentir-se Valorizado
Nan Niland, aos 72 anos, dedicou quatro décadas de sua vida à profissão de dentista. Para ela, esse trabalho era mais do que uma carreira; representava sua identidade. No entanto, após se aposentar em 2020, Niland percebeu a necessidade de mais estrutura em sua rotina, que incluía exercícios, leitura e momentos na natureza. Com o tempo, a falta de propósito a fez refletir sobre a importância de se sentir valorizada.
Esse conceito, conhecido como ‘mattering’, refere-se à sensação de que nossas vidas têm significado e que nossas ações importam para os outros. Jennifer B. Wallace, autora de um novo livro intitulado ‘Mattering’, afirma que quando nos sentimos relevantes, temos mais propensão a manter conexões sociais, cuidar de nossa saúde e investir no nosso bem-estar.
O Papel do Voluntariado na Saúde dos Idosos
Linda Fried, médica geriátrica da Johns Hopkins Medicine, ao longo de sua carreira, notou que muitos de seus pacientes, embora fisicamente doentes, careciam de um propósito motivador para sair da cama diariamente. Para promover um impacto positivo, Fried começou a sugerir que seus pacientes se envolvessem em atividades de voluntariado em organizações que lhes eram significativas. A partir daí, ela implementou um programa de voluntariado para investigar os benefícios dessa prática entre adultos mais velhos.
Os resultados foram animadores: aqueles que se dedicaram ao voluntariado não apenas aumentaram seus níveis de atividade física, mas também relataram sentir-se mais fortes e com melhor saúde mental após alguns meses. Além disso, esses indivíduos apresentaram melhorias em testes cognitivos e relataram um maior senso de legado e impacto social.
Outras Formas de Conexão Social
O voluntariado não é a única maneira de cultivar uma sensação de importância. Frequentar um café, um parque ou um espaço comunitário pode proporcionar a conexão necessária para combater a solidão, especialmente após a aposentadoria. Jennifer observa que encontrar um ‘terceiro lugar’, onde se sente valorizado, é crucial para a saúde mental e emocional.
Otimismo e Longevidade na Terceira Idade
Uma visão positiva da vida, especialmente sobre o envelhecimento, tem mostrado benefícios significativos na saúde. Um estudo realizado em 2022 revelou que mulheres acima dos 50 anos que apresentaram altos níveis de otimismo viveram, em média, 5% mais e tiveram mais chances de alcançar os 90 anos, em comparação com aquelas que apresentaram uma perspectiva mais negativa.
Além disso, uma pesquisa recente revelou que adultos mais velhos que mantinham uma atitude positiva em relação ao envelhecimento, acreditando que ainda eram tão úteis e felizes quanto em sua juventude, tinham mais chances de manter ou até melhorar suas capacidades físicas e cognitivas ao longo de 12 anos.
A Influência da Atitude Positiva
A pesquisadora Becca Levy, da Universidade Yale, que liderou o estudo mencionado, destaca que uma mentalidade otimista, especialmente em relação ao futuro, pode influenciar positivamente a saúde. Quando as pessoas se sentem esperançosas, tendem a seguir recomendações médicas, praticar mais exercícios e fortalecer suas relações sociais. Os dados de Levy mostram que uma visão positiva pode, inclusive, proteger contra o estresse, resultando em níveis mais baixos de cortisol e indicadores de inflamação.
Enfrentando Desafios com Otimismo
Embora o envelhecimento traga desafios, como a perda de entes queridos e problemas de saúde, a psicóloga Deepika Chopra, autora de ‘The Power of Real Optimism’, ressalta que manter uma perspectiva otimista não é ignorar as dificuldades. Seu avô, Madan Syal, que aspira completar 100 anos em julho, exemplifica essa mentalidade. Ele se diverte jogando cartas com sua esposa e encara o envelhecimento de forma positiva.
