Lula Intensifica Discurso sobre Segurança
Com a ascensão do senador Flávio Bolsonaro nas intenções de voto para a presidência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu adotar um discurso mais firme em relação à segurança pública. O objetivo é atrair o eleitorado de centro, que se mostra cada vez mais preocupado com questões relacionadas à violência. Nos últimos dias, Lula ajustou seu tom, incorporando um viés punitivista nas suas declarações, e essa estratégia deve se intensificar nas semanas seguintes.
Recentemente, uma pesquisa do Datafolha revelou que Lula está com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio chegou a 35%, reduzindo a diferença entre ambos. Essa proximidade nas pesquisas acendeu um sinal de alerta para Lula, que vê na segurança um tema crucial para conquistar novos apoiadores.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Quaest no final do ano passado, 30% da população brasileira considera a violência como sua principal preocupação, refletindo a necessidade de um discurso coerente e convincente por parte do governo. O novo levantamento do Datafolha, divulgado recentemente, indicou Flávio à frente de Lula pela primeira vez, com 46% no segundo turno contra 45% do atual presidente, configurando um empate técnico. Além disso, os dados apontam que 48% dos eleitores afirmam que não votariam em Lula de forma alguma, enquanto 46% têm a mesma opinião em relação a Flávio.
Durante uma entrevista ao ICL Notícias, Lula utilizou a expressão “prende e solta” para criticar a impunidade em crimes violentos, uma narrativa frequentemente empregada pela direita. ‘Precisamos ter uma discussão profunda sobre o papel do Poder Judiciário. Os governadores se queixam: a polícia prende um ladrão, e dependendo da fama dele, é solto no dia seguinte’, enfatizou o presidente.
Além disso, em declarações sobre o aumento dos preços dos combustíveis, provocado pela guerra no Oriente Médio, Lula sugeriu que seria necessário ‘colocar alguém na cadeia’. Essa mudança de tom não se limita apenas a questões econômicas, mas também se estende ao enfrentamento da violência de gênero. Lula deve começar a defender um endurecimento das penas para os agressores de mulheres, algo que já é um clamor público, mas que precisa de maior ênfase nas suas falas.
Assessores próximos ao presidente enxergam essa fase como um teste para o discurso, que está se reformulando com vistas à corrida eleitoral. A tentativa de tratar criminosos com maior rigor se torna central na estratégia de Lula, que busca conquistar eleitores menos alinhados a Flávio. A retórica deve se dirigir especialmente a pedófilos, integrantes de facções e agressores, distanciando a imagem da esquerda da benevolência para com o crime. A questão dos roubos de celular também deverá integrar esse novo discurso.
Internamente, a equipe de campanha fala em ‘modernizar’ a comunicação, o que é interpretado como um esforço do PT para suavizar a defesa de bandeiras históricas focadas em questões humanitárias, relacionadas a presos.
O presidente voltou a ressaltar a criação do Ministério da Segurança Pública, uma promessa feita em 2022. Segundo ele, a nova pasta pode finalmente ser estabelecida após a aprovação da PEC da Segurança, que já passou pela Câmara e aguarda votação no Senado. ‘Estamos buscando soluções de segurança que se baseiam em evidências e em diálogo com o Congresso. Mesmo que isso indicasse uma ênfase nas expectativas da população, isso não é gratuito. É uma política fundamentada em evidências, com rigor e austeridade na luta contra o crime organizado’, afirmou o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.
Aliados no Congresso ressaltam que é imperativo que essa mudança de tom ocorra rapidamente. ‘Lula precisa começar a se comunicar de forma mais incisiva e trazer o discurso de punitividade em segurança para fora da bolha’, declarou Mário Heringer (PDT-MG), líder do partido na Câmara.
Por outro lado, há quem considere essa mudança uma manobra arriscada, mas concordam que Lula precisa abordar tópicos que a direita tem mais facilidade em explorar, como segurança, família, religião e propriedade, a fim de se consolidar nas próximas eleições.
