Gravatá: Um Centro de Referência em Equinocultura
A criação de um Centro de Excelência em Equinocultura em Gravatá, localizado no Agreste de Pernambuco, sinaliza o início de uma nova fase para o setor agropecuário no estado. O projeto, que será implementado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), visa unir a qualificação profissional com a pesquisa aplicada, além de fortalecer uma cadeia produtiva que engloba tanto a tradição cultural quanto a importância econômica da equinocultura. A proposta busca transformar Gravatá em um ponto estratégico para a formação técnica e o desenvolvimento dessa atividade no Nordeste do Brasil.
Com a aquisição do terreno e o projeto arquitetônico já finalizado, a iniciativa avança para a etapa de orçamento e preparação para licitação das obras. A previsão é que as construções comecem ainda este ano, com funcionamento programado para 2027. O centro ocupará uma área de três hectares e contará com aproximadamente 5.700 metros quadrados de área construída, incluindo salas de aula, laboratórios, auditório, baias e espaços destinados à realização de práticas e eventos técnicos.
Modelo de Excelência e Desenvolvimento do Setor
O modelo do Centro de Excelência em Gravatá segue a linha de outros centros semelhantes do Senar em todo o país, que atendem diferentes cadeias produtivas do agronegócio. A escolha pela equinocultura em Pernambuco reflete a vocação regional e o grande potencial de crescimento desse setor específico. Para Pio Guerra, presidente da Federação da Agricultura de Pernambuco (Faepe), essa iniciativa representa um marco na forma como o estado aborda uma atividade que, embora historicamente significativa, ainda carecia de estrutura técnica. “Pernambuco tem uma rica tradição com cavalos, e agora estamos profissionalizando essa atividade”, afirma Guerra.
O secretário de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca de Pernambuco, Cícero Moraes, também destaca a importância da tradição na equinocultura local. “O governo do estado tem incentivado eventos focados principalmente na raça manga-larga marchador. Gravatá é um centro promissor e uma referência nacional na criação de equinos. Este centro vai ampliar a divulgação da equinocultura pernambucana”, ressalta Moraes.
Formação e Capacitação no Setor
O novo centro será responsável pela formação técnica reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), oferecendo cursos gratuitos que vão desde capacitações de curta duração até programas mais longos de formação profissional. A grade curricular incluirá disciplinas como medicina veterinária aplicada, zootecnia, manejo de animais e gestão de empreendimentos do setor equino. Além de formar novos profissionais, a proposta visa também a qualificação de trabalhadores já atuantes na área. “Estamos buscando melhorar, aos poucos, quem já está no mercado, aprimorando o manejo, a doma, a alimentação e a preparação dos animais”, explica Pio Guerra.
Essa combinação entre educação técnica e capacitação contínua é vista como uma chave para elevar a qualidade da produção e aumentar a competitividade do setor, especialmente em áreas como vaquejadas, exposições e turismo rural.
Gravatá: Uma Escolha Estratégica para a Equinocultura
A opção por Gravatá para a instalação do centro não é acidental. O município já possui uma base sólida de criadores, centros de treinamento, eventos e competições equestres, além de uma infraestrutura turística que facilita a atração de visitantes e investidores. Segundo Guerra, Gravatá é um polo ativo na equinocultura, abrigando haras, pensões para cavalos, treinadores e um calendário regular de eventos. “São mais de 100 áreas de criação e uma atividade intensa relacionada ao cavalo em Gravatá”, revela.
Impacto Econômico da Cadeia Produtiva
Embora frequentemente associado a atividades de lazer e esportivas, o mercado de equinos abrange uma cadeia produtiva bastante diversificada, que vai da criação e treinamento de animais à fabricação de equipamentos e serviços especializados. Pio Guerra destaca que a mão de obra desempenha um papel fundamental nesse setor: “Mais de 70% do valor de itens como selas e arreios está atrelado ao trabalho manual. É um campo que gera muitos empregos e movimenta recursos significativos”. Além disso, profissionais especializados, como treinadores e domadores, podem ter uma remuneração expressiva, reforçando o potencial desta atividade como uma alternativa de renda no meio rural.
A expectativa é que o Centro de Excelência contribua para ampliar esse impacto econômico, qualificando trabalhadores, aumentando a produtividade e estimulando práticas mais modernas e eficientes na criação e manejo dos animais.
