Vencedor do Prêmio Faz Diferença 2025
O prêmio Faz Diferença 2025 celebra o impacto significativo de personalidades na saúde, e este ano, o pesquisador Carlos Monteiro se destacou na categoria Saúde. Desde 2009, Monteiro introduziu um conceito revolucionário ao classificar alimentos que passam por várias etapas industriais e contêm aditivos como emulsificantes e conservantes como ultraprocessados. Esta nova abordagem tem sido crucial em sua luta para conscientizar a população sobre os riscos associados a dietas ricas nesses produtos, alertando, assim, a comunidade científica global.
Além de receber o prêmio, o epidemiologista e professor da Faculdade de saúde pública da Universidade de São Paulo (USP), onde fundou o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em nutrição e Saúde (Nupens), foi reconhecido pelo jornal americano The Washington Post como uma das 50 pessoas mais influentes de 2025, moldando o futuro da sociedade.
A Importância da Pesquisa em Alimentação
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Com uma formação robusta — é médico, mestre em Medicina Preventiva e doutor em Saúde Pública, além de possuir pós-doutorado no Instituto de Nutrição Humana da Universidade de Columbia (EUA) e ser membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) — Monteiro se tornou um dos pesquisadores mais citados em sua área. Suas pesquisas têm orientado a elaboração do Guia Alimentar para a População Brasileira, desenvolvido pelo Ministério da Saúde, além de influenciar diretrizes dietéticas em diversos países.
Em recente entrevista ao GLOBO, Monteiro foi enfático ao afirmar: “Os ultraprocessados são a causa básica da epidemia de doenças crônicas que enfrentamos globalmente, como obesidade, câncer, diabetes e até problemas de saúde mental.” Essa afirmação ressalta a urgência de se buscar alternativas alimentares saudáveis frente ao crescente consumo de produtos ultraprocessados.
Consumo de Ultraprocessados no Brasil
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No Brasil, os alimentos ultraprocessados, que incluem itens como refrigerantes, salgadinhos, macarrão instantâneo, biscoitos, nuggets, iogurtes adoçados e pratos congelados, já correspondem a 21,6% da alimentação segundo dados do Nupens. Contudo, esse percentual está em ascensão, levando a preocupações sobre o futuro da saúde alimentar no país, especialmente se comparado a nações como Austrália e Estados Unidos, onde esses produtos representam 42% e 58%, respectivamente, da ingestão calórica diária.
Monteiro destaca a relevância de abordar doenças crônicas relacionadas à alimentação, uma questão que afeta uma vasta parte da população. “É essencial que os resultados das nossas pesquisas cheguem ao público e não permaneçam restritos ao meio acadêmico. A mídia desempenha um papel fundamental nesse processo. Portanto, receber este reconhecimento do GLOBO é muito gratificante, não apenas para mim, mas também para a visibilidade da ciência.”
