Golpe com Inteligência Artificial Afeta Família de Criança com Câncer
Uma família gaúcha enfrenta uma dolorosa situação após criminosos usarem inteligência artificial (IA) para criar falsas campanhas de arrecadação na internet, utilizando imagens e vídeos forjados da filha em tratamento contra o câncer. Os golpistas produziram vídeos com deepfake e clonagem de voz, simulando a menina pedindo dinheiro para custear medicamentos, o que gerou um impacto emocional e financeiro significativo para a família.
Nos anúncios fraudulentos, uma voz sintética imitava a criança fazendo apelos emocionais para os doadores: “O remédio que pode me ajudar é muito caro. E a mamãe disse que a gente já vendeu tudo. Se você puder ajudar, qualquer valor já me dá mais um dia com a minha mãe. Se você puder me ajudar, clica no botãozinho aqui embaixo”. A mãe da vítima, Kelen Santos, relatou o sofrimento causado ao descobrir a fraude. “Foi horrível. A gente perdeu o sono, eu chorei muito porque não era só questão da imagem dela, mas eles estarem usando a nossa dor para se aproveitar e ganhar dinheiro, principalmente pelas pessoas que estavam doando”, afirmou.
Ação Policial e Desdobramentos da Fraude Digital
De acordo com o delegado João Vitor Herédia, da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE), o grupo criminoso utilizava ferramentas de inteligência artificial, incluindo deepfake e clonagem de voz, para alterar campanhas verdadeiras. As fraudes eram divulgadas por páginas falsas com nomes como “Clube de Doadores” e “Unidos pelo Amor”. Ao clicar nos anúncios, as vítimas eram direcionadas a sites que imitavam plataformas legítimas de arrecadação, como o Vakinha, onde um código Pix gerado desviava os valores para contas de empresas de fachada controladas pelos golpistas.
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Kelen também contou que doadores, sem saber do golpe, entravam em contato pelas redes sociais para comemorar a doação, o que aumentava a angústia da família ao precisar informar que o dinheiro não havia chegado para o tratamento da filha. A polícia já rastreou R$ 294,5 mil desviados apenas nessa campanha falsa envolvendo a imagem da menina. Ainda foi identificada uma empresa que funcionava como núcleo financeiro do grupo, movimentando mais de R$ 1,7 milhão no período investigado.
Investigação em Diversos Estados e Recomendações de Segurança
Embora a vítima tenha tido uma vaquinha legítima encerrada após o tratamento apresentar melhora, a polícia civil do Rio Grande do Sul investiga se outras crianças com doenças graves foram usadas em golpes semelhantes em todo o país. A operação realizada em cinco estados prendeu 16 pessoas que devem responder por estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As ações ocorreram no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.
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Para evitar cair em fraudes, a Polícia Civil recomenda que a população verifique sempre a veracidade das campanhas de arrecadação antes de fazer transferências. A orientação é confirmar diretamente com as famílias ou instituições envolvidas e checar se o nome do destinatário do Pix confere com o beneficiário real. Essa cautela é crucial para proteger recursos e evitar que golpes prejudiquem quem realmente precisa.
