O avanço da economia verde no semiárido nordestino
O semiárido nordestino vem se destacando como um dos principais polos da economia verde no Brasil, atraindo investimentos bilionários em energias renováveis, biocombustíveis e fibras naturais. Projetos liderados por empresas como Shell Brasil, Acelen Renováveis e Casa dos Ventos, em parceria com centros de pesquisa, estão posicionando a região como estratégica para a transição energética e o desenvolvimento sustentável.
Inovação e pesquisa para energias renováveis
Um exemplo importante é o programa Brazilian Agave Development (BRAVE), criado pela Shell Brasil em conjunto com a Unicamp e o Senai Cimatec, centro tecnológico da Fieb. A iniciativa investiga o potencial do agave, uma planta adaptada ao clima semiárido, para produzir etanol de segunda geração (E2G) e biogás em escala comercial, contribuindo para diversificar as fontes energéticas do país.
Na Bahia, a Acelen Renováveis projeta a implantação de um polo voltado a combustíveis sustentáveis, com investimentos superiores a US$ 3 bilhões. O foco está no cultivo da macaúba, matéria-prima para Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Diesel Verde (HVO), além da recuperação de cerca de 180 mil hectares de áreas degradadas, o que reforça o compromisso ambiental da iniciativa.
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A Casa dos Ventos amplia sua atuação no semiárido com projetos híbridos de geração eólica e solar. Paralelamente, desenvolve a produção de hidrogênio e amônia verdes, destinados ao abastecimento industrial e à exportação de energia limpa, ampliando as possibilidades econômicas e ambientais da região.
Movimento para fortalecer as fibras naturais brasileiras
Esses investimentos caminham junto ao Movimento Fibras Naturais Brasileiras, criado em 2026 pela Câmara Setorial de Fibras Naturais do Ministério da Agricultura e Pecuária (CSFN/MAPA). O programa reúne cadeias produtivas de sisal, bambu, coco, cânhamo, juta, malva, piaçava e seda para aumentar a competitividade e aproveitar oportunidades no mercado de carbono e nos Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA).
Wilson Andrade, presidente da CSFN/MAPA, destaca que o objetivo é modernizar a produção e ampliar a participação das fibras naturais em um mercado global que deve crescer nos próximos anos. Segundo ele, o programa ambicioso busca recuperar as fibras naturais e recuperar mercado perdido para fibras sintéticas, alinhando o setor à tendência de crescimento para a próxima década.
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Fonte: londrinagora.com.br
Modernização da cadeia produtiva do sisal e impacto social
O Brasil também avança na modernização da cadeia produtiva do sisal, fundamental para a geração de renda de cerca de 800 mil pessoas no semiárido. Entre as ações estão a instalação de uma usina-piloto automatizada em Conceição do Coité, uso de drones, sensores e inteligência artificial para monitoramento das lavouras, além de pesquisas para desenvolver fitoterápicos, bio-óleo e materiais compósitos para a indústria.
Os resultados já podem ser vistos nos números do setor. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a produção nacional de sisal cresceu 21,5% entre 2024 e 2025, passando de 93 mil para 113 mil toneladas, reforçando o potencial econômico da cadeia.
Contribuição ambiental e econômica para o semiárido
Além dos ganhos econômicos, especialistas ressaltam que culturas como sisal, agave e macaúba ajudam na captura de carbono, recuperação de áreas degradadas e geração de renda em regiões marcadas pela escassez hídrica. Esse conjunto de iniciativas consolida o semiárido nordestino como protagonista da economia de baixo carbono, com impacto direto na produção, emprego e sustentabilidade regional.
