Bahia investe na macaúba para biocombustíveis sustentáveis
Representantes das secretarias da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) e de Desenvolvimento Rural (SDR) realizaram uma missão técnica em Montes Claros, Minas Gerais, para conhecer o modelo da AgriPark, centro de inovação agroindustrial da Acelen focado na cadeia produtiva da macaúba. Essa palmeira nativa tem ganhado destaque como matéria-prima estratégica para a fabricação de diesel verde (Hydrotreated Vegetable Oil – HVO) e combustível sustentável de aviação (Sustainable Aviation Fuel – SAF). O projeto, estimado em R$ 12 bilhões, prevê unidades agrícolas e agroindustriais em Cachoeira e Mucugê, com capacidade anual de produção de 1 bilhão de litros, com início das operações previsto para 2029.
Missão técnica avalia adaptação do modelo para a Bahia
A visita da equipe baiana teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a experiência da Acelen em Minas Gerais e identificar como essa estrutura pode ser adaptada à realidade produtiva da Bahia. O foco principal está na organização da cadeia da macaúba, transferência de tecnologia e manejo agrícola, além da infraestrutura necessária para a produção em escala industrial. Essa iniciativa ocorre em um momento decisivo para o avanço do projeto no estado, que busca consolidar uma cadeia econômica estruturada envolvendo governo, setor privado e produtores rurais.
Potencial da macaúba para energia renovável e economia local
A macaúba se destaca por sua adaptabilidade a diferentes climas, incluindo áreas semiáridas, e pelo alto rendimento na extração de óleo vegetal, ingrediente fundamental para biocombustíveis avançados. O óleo obtido será utilizado para produzir diesel verde e SAF, combustíveis que representam alternativas viáveis para reduzir a dependência de derivados fósseis, sobretudo no setor aéreo, que enfrenta desafios técnicos para eletrificação em larga escala.
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O projeto da Acelen pretende posicionar a Bahia em uma cadeia global de energia renovável, conectando agricultura, indústria e tecnologia para atender a um mercado internacional de combustíveis de baixo carbono. O investimento de R$ 12 bilhões deve gerar impacto econômico expressivo, com demanda por mudas, assistência técnica, manejo, logística, pesquisa e mão de obra qualificada nos municípios envolvidos.
Inclusão da agricultura familiar e sustentabilidade como pilares do projeto
Um aspecto estratégico do projeto é a integração da agricultura familiar na cadeia produtiva da macaúba. A Bahia possui experiência em cultivos adaptados e redes de cooperativas que podem facilitar a participação dos pequenos produtores, ampliando a renda rural e diversificando as atividades econômicas. Para isso, será fundamental garantir assistência técnica, acesso a mudas, contratos justos e financiamento adequado, evitando a concentração da cadeia em grandes propriedades.
Outro ponto importante é o uso da tecnologia agroindustrial, por meio da AgriPark, que atua como centro de inovação para aprimorar produção, manejo e processamento da macaúba. A adoção do sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) reforça o compromisso com práticas agrícolas de baixo carbono, promovendo recuperação ambiental e aumento da produtividade.
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Competitividade e desafios para consolidar a cadeia produtiva
A macaúba apresenta rendimento superior à soja na produção de óleo vegetal, o que amplia seu potencial econômico e industrial. Estudos indicam que os biocombustíveis derivados da macaúba podem reduzir até 80% das emissões de gases de efeito estufa em comparação aos combustíveis fósseis, ressaltando sua vantagem ambiental. Contudo, a sustentabilidade do projeto dependerá de monitoramento rigoroso do ciclo de vida do combustível, considerando cultivo, transporte, processamento e uso da terra.
A iniciativa da Bahia integra um esforço maior de transição energética, onde estados produtores buscam unir agricultura, indústria e políticas públicas para atrair investimentos e fortalecer cadeias de baixo carbono. O sucesso do projeto exigirá governança eficiente, transparência regulatória, fiscalização ambiental e participação equilibrada dos agentes econômicos, assegurando que o impacto positivo na economia local seja concreto e duradouro.
Em resumo, a aposta baiana na macaúba para produção de diesel verde e SAF é promissora, mas demanda acompanhamento técnico, metas claras e controle público para garantir que a inovação tecnológica se traduza em benefícios reais para a sociedade, economia e meio ambiente.
