Redução expressiva da rede física
A Casas Bahia iniciou uma etapa inédita de reestruturação que inclui o fechamento de 298 lojas, o equivalente a quase 30% das unidades espalhadas pelo país. Entre os dias 13 e 14, a varejista encerrou as atividades dessas unidades como parte de um programa de corte de custos que também envolve redução significativa do quadro de funcionários.
O número de lojas fechadas representa um corte muito maior do que o ritmo habitual da rede nos últimos anos, quando a diminuição do parque físico ocorria de forma gradual, com ajustes em algumas dezenas de pontos por ano. Agora, o impacto é muito mais contundente e reflete as dificuldades financeiras enfrentadas pela companhia.
Demissões e impacto no quadro de funcionários
Além do fechamento das lojas, a Casas Bahia demitiu 600 funcionários na quinta-feira, com previsão de desligar entre 1,3 mil e 1,4 mil pessoas no dia seguinte. Ao todo, as duas etapas somam cerca de 2 mil postos eliminados, o que equivale a uma redução de 6,7% na força de trabalho da empresa.
Prejuízos bilionários e alta despesa financeira
O movimento de corte ocorre diante de uma situação financeira delicada. No primeiro trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou um prejuízo de R$ 1,064 bilhão, mais que o dobro do mesmo período do ano anterior, quando a perda foi de R$ 408 milhões. Em 2025, o prejuízo acumulado da empresa chegou próximo a R$ 3 bilhões.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
O principal desafio está nas despesas financeiras, que no trimestre foram negativas em R$ 1,171 bilhão, pressionadas por juros elevados. Ao mesmo tempo, o alto endividamento das famílias limita a recuperação das vendas, dificultando a retomada da rentabilidade.
Recuperação extrajudicial e continuidade dos desafios
Em 2024, a companhia passou por um processo de recuperação extrajudicial para ajustar sua estrutura de capital. Embora o acordo com os bancos tenha solucionado o desequilíbrio inicial, a Casas Bahia ainda enfrenta o peso das despesas financeiras e a necessidade de melhorar seus resultados operacionais.
Crescimento do digital contrasta com encolhimento da rede física
Os números operacionais mostram um cenário dual. No primeiro trimestre de 2026, a receita bruta consolidada cresceu 6,4%, alcançando R$ 8,8 bilhões, enquanto a receita líquida subiu 6,1%, para R$ 7,416 bilhões. O lucro bruto avançou 6,5%, chegando a R$ 2,247 bilhões, e o Ebitda ajustado teve alta de 4,7%, totalizando R$ 597 milhões, com margem estável de 8,1%.
Esse desempenho positivo está fortemente ligado ao crescimento do comércio eletrônico. O volume bruto de mercadorias no e-commerce aumentou 14,6%, atingindo R$ 11,2 bilhões, mantendo seis trimestres consecutivos de expansão. No entanto, a operação física segue perdendo espaço, com fechamento gradual de lojas nos últimos anos.
Estratégia para equilibrar canais e melhorar caixa
Com o recente anúncio, a redução da estrutura física será muito mais intensa, visando diminuir custos fixos, melhorar a geração de caixa e retomar a lucratividade. O objetivo é alinhar o desempenho dos canais físico e digital para garantir sustentabilidade no longo prazo.
Impacto financeiro no curto prazo e próximos passos
Apesar da intenção de economizar, os cortes terão custos iniciais, já que o fechamento de lojas e demissões geram despesas antes que a redução da estrutura resulte em ganhos permanentes. A divulgação dos resultados trimestrais foi adiada para o dia 14, com teleconferência marcada para o dia 17, quando a empresa deve detalhar seu plano de redução de despesas.
O tamanho dos cortes evidencia a pressão para ajustar uma operação que, apesar de mostrar crescimento no digital, convive com prejuízos elevados e custos financeiros que comprometem a rentabilidade.
