Investimento bilionário em terras raras no Recôncavo Sul da Bahia
Uma multinacional australiana planeja investir R$ 3,6 bilhões em um projeto de extração e processamento de terras raras na Bahia, reforçando a posição do Brasil como fornecedor estratégico no mercado global. O projeto está localizado em uma área de quase 200 mil hectares na Província Mineral Rocha da Rocha, no Recôncavo Sul da Bahia, com operações previstas para começar no fim de 2029. A planta de concentração será instalada nos municípios de Ubaíra e Jiquiriçá, próximos à mina.
Potencial e desafios para o Brasil na cadeia global dos minerais críticos
O presidente da empresa, Renato Gonzaga, destacou que o Brasil possui reservas de alta qualidade, com teor de terras raras até 100 vezes superior às encontradas em mineralizações convencionais de argilas iônicas. Apesar disso, ele ressalta que o país ainda está nos primeiros passos da cadeia de processamento, concentrando esforços na elaboração do carbonato de terras raras. A separação dos óxidos, etapa mais complexa, depende de tecnologia avançada e investimentos contínuos, algo que o Brasil ainda não domina totalmente.
O cenário global está tenso, especialmente devido às recentes restrições da China à exportação de elementos essenciais para tecnologia e uso militar. Nesse contexto, o Brasil pode se posicionar como um fornecedor alternativo importante, mas enfrenta desafios regulatórios que podem dificultar a atração do capital necessário para viabilizar os projetos.
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Regulação e impactos no ambiente de negócios
O país discute atualmente o Projeto de Lei dos Minerais Críticos, que tem como objetivo estabelecer um marco regulatório para o setor. Gonzaga avalia que, embora o projeto tenha méritos por tentar incentivar investimentos e agregar valor internamente, o texto aprovado na Câmara indica uma intervenção estatal excessiva. Ele alerta que esse modelo pode aumentar o risco dos projetos, tornando o financiamento mais caro e prejudicando a competitividade do Brasil como destino de investimentos.
Uma das preocupações é o comitê de notáveis previsto para avaliar os investimentos sob o argumento da soberania nacional, cuja composição e funcionamento ainda não estão claros. Essa estrutura pode restringir o capital disponível, especialmente quando há uma visão seletiva sobre quem são os parceiros ideais para o desenvolvimento dos projetos.
Parcerias e tecnologia para avançar na cadeia produtiva
Para superar os desafios tecnológicos, a empresa firmou uma parceria com a Carester, uma das poucas do Ocidente com tecnologia em escala industrial para separação dos óxidos de terras raras. O acordo prevê a venda de um terço da produção por dez anos, com apoio na rota de separação aqui no Brasil. A planta da Carester está sendo inaugurada na França, e a proposta é instalar a operação em Camaçari, região metropolitana de Salvador, que oferece logística, acesso a porto e mão de obra qualificada.
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Com recursos próprios, a empresa encerrou 2025 com 160 milhões de dólares australianos em caixa (equivalente a R$ 575,9 milhões), que serão direcionados a sondagens, levantamentos geológicos e testes em plantas piloto. O projeto está em fase de licenciamento ambiental junto ao Ibama, com previsão de entrega do estudo de impacto ambiental ainda neste ano.
Impacto prático para o mercado e a economia regional
Esse investimento representa uma oportunidade significativa para a economia baiana e para o Brasil, que pode ampliar sua participação na cadeia global de minerais críticos, essenciais para tecnologias de ponta. A operação deve estimular empregos locais e movimentar a indústria regional, especialmente nas cidades próximas à mina e à planta de processamento.
Ao mesmo tempo, o debate regulatório precisa avançar para equilibrar soberania e competitividade, garantindo um ambiente que atraia capital e permita o desenvolvimento sustentável do setor. O sucesso do projeto depende diretamente da capacidade de alinhar políticas públicas com as demandas do mercado global, evitando obstáculos que elevem o custo do financiamento e comprometam a viabilidade econômica.
