Dívidas bilionárias levam Casas Bahia e Marabraz à recuperação judicial
No último final de semana, o grupo Casas Bahia e a rede Marabraz formalizaram pedidos de recuperação judicial para tentar enfrentar suas dificuldades financeiras. A Casas Bahia busca renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas, acumuladas após oito trimestres consecutivos de prejuízo. Recentemente, a rede anunciou o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários, medidas que refletem o impacto direto na operação e no mercado de trabalho.
Já a Marabraz precisa lidar com um passivo de cerca de R$ 140 milhões. Ambas as empresas se juntam a um grupo de varejistas que adotaram a recuperação judicial ou extrajudicial para evitar o fechamento, como Americanas, Grupo Pão de Açúcar, Casa & Vídeo e Tok&Stok. Essas companhias revelam os desafios constantes no setor varejista brasileiro diante das mudanças no consumo, concorrência e estrutura econômica.
Histórico de grandes varejistas que não resistiram às transformações do mercado
Várias marcas que já foram referências no comércio brasileiro não conseguiram superar as dificuldades e desapareceram. O Mappin, criado em São Paulo no início do século 20, encerrou suas atividades em 29 de julho de 1999, com uma dívida estimada em R$ 1,2 bilhão, após enfrentar a concorrência de lojas especializadas e o crescimento dos shopping centers na década de 1990.
A Mesbla, fundada no Rio de Janeiro em 1912, chegou a operar 180 lojas e empregar mais de 28 mil pessoas, mas teve sua falência decretada em 1999. Outro exemplo é a Arapuã, fundada em 1957 em Lins (SP), que no auge contava com mais de 220 lojas e um faturamento de cerca de R$ 1,6 bilhão. A empresa pediu concordata em 1998, acumulando dívidas próximas a R$ 1 bilhão, e teve a falência confirmada em 2020.
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Impacto regional e encerramento de redes tradicionais
A Casas da Banha, que já foi a segunda maior rede de supermercados do país, com 224 lojas e mais de 20 mil funcionários em 1985, teve sua falência decretada em 1999. A Saraiva, maior rede de livrarias do Brasil, fundada em 1914, entrou em recuperação judicial em 2018 com passivo próximo de R$ 675 milhões e fechou suas últimas lojas físicas em 2023, quando a Justiça decretou sua falência.
A Ricardo Eletro, fundada em 1989 em Divinópolis, chegou a ter cerca de 1,2 mil lojas e 28 mil funcionários. A holding solicitou recuperação judicial em agosto de 2020, com dívidas estimadas em R$ 4 bilhões, e fechou todas as suas lojas físicas, cerca de 300 pontos de venda.
Casos emblemáticos no Paraná e Rio Grande do Sul
O Paraná também teve grandes redes que enfrentaram a falência, como a Hermes Macedo, fundada em Curitiba em 1932, que chegou a ter 285 lojas em seis estados, mas teve a falência decretada em 1997. A Disapel, com 110 lojas no Sul e Sudeste, teve sua falência decretada em junho de 2000.
No Rio Grande do Sul, a Imcosul contava com 62 lojas e cerca de 3 mil funcionários, mas não resistiu às transformações do varejo e fechou as portas. A J.H. Santos, com 21 pontos de venda, teve sua falência decretada em 1997.
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Outras redes tradicionais que encerraram operações
De origem cearense, as Lojas Paraíso chegaram a 57 unidades e 1.079 funcionários, com presença em quatro estados do Nordeste, mas tiveram a falência decretada em dezembro de 1999. A Livraria Cultura entrou em recuperação judicial em 2018, com dívidas de cerca de R$ 285 milhões.
As Lojas Brasileiras encerraram suas atividades em 1999, com 63 unidades em 20 estados e aproximadamente 6 mil funcionários. A Ultralar, que mantinha 44 lojas em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, teve a falência decretada em maio de 2000. A Dudony, que chegou a 110 lojas no Paraná e São Paulo, teve seus ativos vendidos ao Grupo Silvio Santos em 2009 por cerca de R$ 33 milhões.
Esses exemplos ilustram a intensidade dos desafios enfrentados pelo varejo brasileiro ao longo das últimas décadas, com impactos diretos na economia local, emprego e consumo.
