Planejamento e antecipação no mercado de eventos
O setor de entretenimento exige mais do que apenas realizar eventos; requer um olhar atento às tendências e ao comportamento do público. Em Feira de Santana, esse segmento tem ganhado força com grandes shows e formatos inovadores, trazendo experiências variadas para a população.
O empresário e compositor Antônio Dyggs, com 22 anos de experiência, compartilhou no quadro Hora do empreendedorismo, do Jornal do Meio Dia, como é fundamental o planejamento para garantir o sucesso nesse mercado. Ele explica que, para contratar grandes atrações, é preciso pensar com muita antecedência.
“Hoje não é possível contratar bandas de grande porte para 2026, pois as agendas já estão fechadas até dezembro. Estamos em setembro, e as contratações se direcionam para 2027”, afirma Dyggs, que já tem shows agendados para abril, julho e agosto do próximo ano. A visão de futuro é imprescindível para entender o que o público desejará meses à frente.
Feira de Santana como polo estratégico para grandes atrações
Segundo Dyggs, Feira de Santana ocupa posição estratégica no circuito de grandes eventos, consolidando-se como um polo importante para o entretenimento no Brasil. A cidade tem recebido turnês que tradicionalmente passam apenas pelas capitais, ampliando seu alcance cultural e econômico.
Entretanto, o custo logístico representa um desafio significativo. “O transporte aéreo passou a ser um fator limitador. Trazer uma banda exclusivamente para Feira, sem paradas em cidades próximas como Salvador ou Aracaju, pode representar até 30% do cachê total, apenas em despesas logísticas”, explica o empresário. Essa realidade exige uma análise cuidadosa entre a preferência do público e a viabilidade financeira.
Reinvenção do setor e diversificação de experiências
O mercado de eventos passou por transformações nos últimos anos. Dyggs lembra que Feira de Santana já viveu uma fase de intensa concorrência entre produtores e casas de show, o que elevou consideravelmente os cachês das atrações. “O aumento dos valores foi impulsionado principalmente pela competição entre órgãos públicos e o setor privado”, destaca.
Para se adaptar, o segmento privado tem buscado diversificar a programação. Enquanto o arrocha dominava a cena anteriormente, atualmente há uma mescla de estilos, contemplando diferentes públicos. Eventos recentes trouxeram nomes como Roupa Nova, João Gomes, Humberto Gessinger e Zé Ramalho, além do esperado show de Nando Reis no Espaço Verde da Abóbora.
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Além da variedade musical, a experiência oferecida ganhou destaque. “Não basta mais apenas colocar uma banda no palco e vender ingressos. É preciso criar novos ambientes e formatos que atraiam o público”, afirma Dyggs, que destaca o Centro de Convenções como um espaço capaz de receber eventos variados e inovadores.
Experiências ao ar livre e conexão com o público
O show de Nando Reis, marcado para acontecer em uma área verde no Complexo Cultural Carro de Boi, exemplifica essa nova proposta. O espetáculo começará ao pôr do sol, valorizando a paisagem natural e proporcionando uma vivência diferente para os espectadores.
“O local oferece uma vista privilegiada do sol se pondo, dentro da cidade, o que torna o evento único. Essa união entre música e ambiente renova o interesse do público”, comenta o empresário.
Mudanças no comportamento e desafios econômicos
Antônio Dyggs também abordou as transformações no perfil do público, especialmente entre os jovens, que hoje entram mais tarde no mercado de entretenimento e consomem menos bebidas alcoólicas, refletindo uma preocupação crescente com a saúde.
Ele reforça que o mercado continua ativo, mas é necessário acompanhá-lo de perto. “O empreendedor que reclama da crise ou do mercado provavelmente não o estudou bem. É preciso entender e ajustar o negócio para sobreviver e prosperar”, alerta.
Riscos e gestão financeira no entretenimento
O setor é conhecido pelo alto risco financeiro. Um evento pode demandar um investimento equivalente ao de uma loja que dura anos, mas seu resultado é definido em um único dia. Dyggs ressalta que nem todas as produções terão sucesso, e isso deve ser previsto no planejamento.
“Costumo ser transparente nas redes sociais. Afirmo que há eventos que dão lucro e outros que resultam em perda. O importante é avaliar o desempenho anual, buscando acertar mais do que errar”, afirma, explicando que a média ideal é de 70% de acertos e 30% de erros.
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Em 2026, sua taxa de erro está abaixo do esperado, em torno de 12%, o que indica um controle eficiente dos riscos.
De universitário a empresário no entretenimento
Formado em Direito pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Antônio Dyggs iniciou sua trajetória ao organizar eventos para aproximar estudantes do curso. O sucesso do “Barracão de Direito” despertou seu interesse pelo setor, levando-o a deixar a estabilidade do serviço público para se dedicar ao empreendedorismo.
“Foi uma decisão difícil, principalmente por ser concursado, mas o entretenimento me realizava”, lembra.
Eventos como motores da economia local
Para Dyggs, os eventos vão além da música e diversão; são momentos que movimentam a economia local e criam conexões sociais. Ele cita um evento que reuniu cerca de 20 mil pessoas e gerou impacto positivo em setores como comércio, serviços de beleza e transporte por aplicativo.
“O dinheiro circula em várias mãos, fazendo a cidade crescer e se fortalecer. Feira de Santana é exemplo disso”, destaca.
Micareta e geração de empregos
O empresário defende a Micareta como um importante gerador de trabalho, envolvendo profissionais de diversas áreas, desde produção até segurança. Para ele, o fortalecimento do entretenimento contribui para consolidar Feira de Santana como polo regional.
“A vida não é só trabalho, também é diversão”, finaliza Dyggs.
