Concerto “Belchior Sinfônico” em Feira de Santana
A Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) preparou uma homenagem especial para celebrar os 80 anos de nascimento de Belchior. No dia 24 de outubro, a orquestra se apresenta em Feira de Santana com o concerto “Belchior Sinfônico”, sob a regência do maestro Carlos Prazeres. O espetáculo, que acontece no Teatro da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) às 20h, contará com as participações do cantor e compositor João Cavalcanti e do músico, arranjador e sanfoneiro Marcelo Caldi. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla.
O legado poético e musical de Belchior
Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes nasceu em Sobral, Ceará, em 26 de outubro de 1946. Em 2026, completaria 80 anos e também se marca o cinquentenário do álbum Alucinação, lançado em 1976, que inclui algumas das composições mais emblemáticas da carreira do artista. Canções como “Sujeito de Sorte” e “Como Nossos Pais” revelam sua capacidade de dialogar com as inquietações do Brasil e com referências literárias e musicais, consolidando uma obra que permanece atual e profunda.
“Belchior é um daqueles artistas que atravessam o tempo porque nunca deixou de falar sobre o ser humano. Sua obra é inquieta, provocadora, profundamente poética e, ao mesmo tempo, popular. Ele cantou o amor, a juventude, o deslocamento, as contradições do Brasil e sua mensagem é mais do que atual”, destaca o maestro Carlos Prazeres, diretor artístico da OSBA.
Explorando novas dimensões com a música sinfônica
O concerto busca revelar outras camadas das composições de Belchior, ampliando sua poesia sem perder a força e a urgência que caracterizam sua identidade. Para isso, o maestro convidou João Cavalcanti e Marcelo Caldi, artistas que transitam entre o universo clássico e o pop, estabelecendo uma ponte sonora que enriquece a experiência.
“O desafio do universo sinfônico é revelar outras camadas dessa obra. A orquestra amplia sua poesia sem retirar dela a força, a urgência e até a aspereza que fazem parte de sua identidade. É o encontro entre a palavra de um artista absolutamente singular e a potência de uma orquestra sinfônica”, explica Carlos Prazeres.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
Um mergulho no universo poético de Belchior
O programa do “Belchior Sinfônico” reúne canções como “Mucuripe”, “Apenas um Rapaz Latino-Americano”, “A Palo Seco”, “Velha Roupa Colorida”, “Coração Selvagem” e “Paralelas”, entre outras. Além das músicas, o concerto traz referências literárias e poéticas presentes na obra do compositor.
João Cavalcanti, além de intérprete, desenvolveu o roteiro e o repertório a partir de uma pesquisa detalhada, incluindo entrevistas e análise das influências de Belchior. Os arranjos ficam por conta do músico Tiago Pallone.
“Queríamos aprofundar esse universo ‘belchioriano’ num lugar que tivesse mais a ver com ele. Belchior sempre foi um artista muito ligado à intertextualidade, cita muitos poemas nas obras dele, e fui trazendo esses poemas e essas referências para o roteiro”, explica Cavalcanti.
Para as apresentações na Bahia, o roteiro foi enriquecido com novos elementos, como uma aproximação com a obra de Milton Nascimento, que também nasceu em 26 de outubro. Esse diálogo entre os dois compositores é uma das novidades do espetáculo.
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Fonte: omanauense.com.br
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Fonte: londrinagora.com.br
A conexão entre passado e presente na música
Marcelo Caldi, parceiro frequente da OSBA, participa do concerto na sanfona. Ele destaca como as questões abordadas por Belchior continuam a ressoar na sociedade atual, conferindo à obra uma força duradoura.
“O que Belchior estava falando há 50 anos são questões que revisitamos hoje enquanto sociedade. É fundamental poder se conectar novamente com essas palavras, tão imagéticas, poderosas e que nos trazem reflexões muito importantes”, comenta Caldi.
Circulação cultural entre Salvador e Feira de Santana
Apresentar o repertório de Belchior na Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, e logo depois em Feira de Santana reforça a circulação da música pela Bahia, destaca o maestro Carlos Prazeres.
“Há algo muito bonito nesse movimento: celebrar um dos grandes artistas nordestinos dentro da nossa principal casa de espetáculos e, em seguida, fazer essa música viajar pela Bahia. Belchior nunca foi um artista de fronteiras. E acho que esse concerto também não deve ser”, conclui Prazeres.
