O olhar que transformou a fotografia em arte
Na era em que a fotografia ainda exigia um processo artesanal, Waldyr Gomes mergulhou de cabeça nesse universo. O click era só o começo. Era necessário revelar as imagens num laboratório, em ambiente escuro, passando por um delicado processo químico para depois serem copiadas em papéis especiais. Waldyr não se contentava apenas em clicar; sua curiosidade o levava a entender a abertura da luz, a química envolvida e a influência do posicionamento do fotógrafo em relação ao objeto. Esse olhar minucioso moldou sua identidade, tornando-o um verdadeiro guardião das imagens de Itabuna.
Parceiro de jornada na imprensa e no serviço público
Conheci Waldyr no início dos anos 1980, logo que ele chegou a Itabuna. Trabalhamos juntos em várias ocasiões, tanto na Prefeitura quanto em veículos de imprensa. Lembro de uma cobertura marcante, durante um protesto dos cacauicultores na BR-101, quando Waldyr foi atropelado por uma carreta enquanto buscava o melhor ângulo para a foto. A confusão gerada pelo nome parecido causou um mal-entendido entre os funcionários da Prefeitura, que acreditaram que eu havia sofrido o acidente, especialmente porque viajei logo depois e fiquei uma semana fora. Felizmente, Waldyr se recuperou e retomou suas atividades.
Ele atuou no jornal A Tarde, mas dedicou a maior parte da carreira ao jornal Agora e à Prefeitura de Itabuna. Mais que um chefe, tornou-se um parceiro constante, especialmente nos momentos em que deixei de editar o caderno Agora Rural e ele decidiu se afastar do jornal, retornando anos depois ao meu lado.
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Fonte: londrinagora.com.br
Pioneirismo nas lentes digitais e paixão pela técnica
Waldyr foi o primeiro fotógrafo profissional de Itabuna a utilizar uma máquina digital, daqueles modelos que armazenavam imagens em disquetes de apenas 1,4 MB. Sempre que a Prefeitura ou o jornal Agora adquiria um novo equipamento, era ele quem estreava o uso. Estudava atentamente o trabalho de fotógrafos renomados da cidade como Alemão, Émerson, Newton Maxwel e Armando Mendes, comparando ângulos e efeitos para aprimorar sua técnica.
Em cada reportagem, começava perguntando qual era o tema. Ao final, mostrava a quantidade e qualidade das fotos produzidas. Um dos maiores desafios para ele era fotografar nas plantações de cacau, onde a luz solar e as sombras criavam um cenário difícil para capturar imagens nítidas. Sua admiração pelas fotos coloridas e em preto e branco do acervo da Ceplac, com obras de Sebastião, Sabino Primitivo e Isaías, era evidente.
Da fotografia à preservação da memória local
Após enfrentar problemas de saúde, Waldyr se afastou da fotografia profissional e criou um blog, o costadocacau.blog.br, onde passou a publicar notícias regionais. Foi graças à curiosidade de Liz sobre seu trabalho que seu vasto acervo foi revelado para as gerações mais jovens, com registros que percorrem Itabuna de cima a baixo, incluindo imagens aéreas e fotos que documentam a transformação da cidade ao longo do tempo.
Assim, Waldyr Gomes não apenas registrou momentos, mas também preservou a história visual de Itabuna, deixando um legado que segue inspirando quem deseja conhecer a cidade através da arte da fotografia.
