Banco do Brasil Alerta sobre Desafios no agronegócio
Na última quinta-feira, 23 de abril de 2026, durante o evento BB Day, realizado em São Paulo, executivos do Banco do Brasil compartilharam um panorama cauteloso sobre o desempenho da instituição. A previsão é de uma recuperação em “W” ao longo deste ano, caracterizada por oscilações nos resultados e a persistente pressão da inadimplência no setor rural. A diretoria do banco reconhece que está enfrentando um ciclo complicado, afetado pela deterioração da carteira de crédito rural, mas permanece firme no compromisso de financiar o agronegócio, aplicando critérios mais rigorosos na concessão de crédito e mantendo atenção em fatores externos, como mudanças climáticas e questões geopolíticas.
Desempenho Financeiro e Ajustes Estratégicos
O Banco do Brasil inicia 2026 após um preocupante recuo de 45,4% no lucro registrado em 2025, reflexo direto do aumento na inadimplência do crédito rural, que subiu 3,86 pontos percentuais em um ano. Esse cenário levou a instituição a revisar sua política de concessão de crédito, adotando critérios mais conservadores e reforçando a exigência por garantias reais, incluindo imóveis e terras. Gilson Bittencourt, vice-presidente de agronegócio do banco, comentou que a recuperação da carteira será gradual, dada a natureza cíclica do setor agrícola. “Ainda estamos processando a safra anterior. Levará tempo até que a maioria da carteira esteja respaldada por garantias mais sólidas”, ressaltou.
Expectativas para o Setor Agrícola em 2026
A expectativa do Banco do Brasil é que o índice de pagamentos no agronegócio alcance 95% em 2026, um crescimento em relação aos 92% de 2025. Em 2023, período considerado de maior estabilidade, este índice atingiu aproximadamente 99%, evidenciando a deterioração que se abateu sobre o setor nos últimos ciclos. O desempenho do agronegócio no presente ano está atrelado a dois fatores fundamentais: o cenário geopolítico internacional e as condições climáticas. Segundo Felipe Prince, vice-presidente de riscos, a guerra no Oriente Médio já está afetando os custos de produção, com destaque para o aumento de até 80% no preço da ureia, insumo essencial para a agricultura. Essa situação deve impactar com ainda mais intensidade a safra 2026/2027.
Leia também: Banco do Brasil Renegocia R$ 35,5 Bilhões em Dívidas Rurais em Meio à Crise de Inadimplência
Leia também: Banco do Brasil registra lucro de R$ 20,68 bilhões em 2025, queda significativa em relação a 2024
Influências Externas e Práticas de Concessão
Adicionalmente, o fenômeno climático El Niño pode provocar desequilíbrios regionais, com chuvas intensas no Sul e estiagens em partes da Amazônia, impactando negativamente a produtividade em diversas áreas. Apesar desses desafios, o Banco do Brasil considera que, até o momento, não há risco iminente de deterioração generalizada no setor, mantendo uma postura de monitoramento cuidadoso, mas sem criar alarme. Mesmo com as incertezas no horizonte, o banco reafirma seu compromisso como principal financiador do agronegócio brasileiro. Contudo, a concessão de crédito será mais seletiva e calibrada ao risco, com possíveis ajustes previstos para o segundo semestre, que marca o início de um novo ciclo agrícola.
Estratégias de Diversificação e Metas para o Futuro
A meta do Banco do Brasil é reduzir a inadimplência para patamares próximos a 1% a longo prazo, estruturando uma carteira de crédito mais robusta e sustentável. Essa mudança reflete uma reavaliação mais ampla na estratégia do banco, que busca equilibrar crescimento com prudência. A CEO Tarciana Medeiros já havia destacado que 2026 será um ano de transição e reestruturação, sem perspectivas de uma recuperação imediata. No segmento de crédito pessoal, a instituição está focando no crédito consignado privado, onde possui cerca de 13% de participação, com a meta de alcançar 20% até o final do ano. Essa operação é predominantemente voltada para clientes da própria base do banco, com taxa média de cerca de 3% ao mês.
Leia também: Banco do Brasil (BBAS3) Afirma que Agronegócio Enfrenta Desafios Pontuais e Não Crise
Leia também: Banco do Brasil (BBAS3) Desmistifica Crise no Agronegócio: ‘Desafios Pontuais’ São o Foco
Modelo de Negócios e Adaptação ao Mercado
Paralelamente, o Banco do Brasil continua a avançar na diversificação de suas receitas, buscando reduzir a dependência do agronegócio. O conglomerado conta com mais de 80 empresas, das quais cerca de 52% de seus resultados vêm de subsidiárias, abrangendo áreas como seguros (BB Seguridade), consórcios, meios de pagamento e mercado de capitais. Esse modelo de negócios, que internamente é descrito como uma “galáxia” de atividades, visa garantir resiliência em períodos adversos, sustentando o desempenho geral da instituição. O diretor financeiro, Marco Geovanne Tobias, destacou que, embora ainda não exista consenso interno sobre a forma exata da recuperação, sua análise indica que haverá períodos de oscilações antes de uma eventual estabilização.
Conclusão: Um Desafio à Vista
A recuperação em “W” esperada pelo Banco do Brasil implica uma trajetória marcada por altos e baixos, refletindo a complexidade do setor agrícola e as influências externas contínuas. Isso sugere que a retomada da rentabilidade não será linear, exigindo ajustes constantes ao longo do ano.
