Caravana Verger chega a Alagoinhas com exposição e atividades culturais
Na quinta-feira (10), a cidade de Alagoinhas ganhou um novo capítulo em sua trajetória cultural com a abertura da Caravana Verger na Praça da Igreja Inacabada, em Alagoinhas Velha. Realizada pela Fundação Pierre Verger (FPV) e patrocinada pela Lei Rouanet via Petrobras, a iniciativa celebra os 80 anos da chegada do fotógrafo franco-brasileiro Pierre Verger ao Brasil, percorrendo cidades do interior da Bahia que fizeram parte da sua história.
Alagoinhas integra esse roteiro por ter recebido Verger em 1951, momento que marcou a relação do artista com o município. Além da exposição fotográfica, a Caravana instalou um contêiner na praça para promover mediações culturais, apresentações artísticas e atividades educativas. A programação enfatiza a participação de sete agentes culturais locais — entre artistas, educadores, historiadores e produtores — que desenvolvem ações vinculadas ao universo de Verger e à valorização da cultura brasileira, especialmente suas manifestações populares e a cultura negra.
Mobilização cultural e fortalecimento da história local
Para o secretário de Cultura, Esporte e Turismo, João Henrique Paolilo, a chegada da Caravana é fruto de uma articulação que se consolidou nos últimos meses, ampliando o acesso da população à história e à cultura da cidade. “É um dia de muita alegria e satisfação para Alagoinhas. Trabalhamos durante quatro meses junto à Fundação para que a nossa cidade estivesse entre os municípios escolhidos para receber a Caravana. Durante dez dias, teremos uma programação que vai muito além da exposição: serão realizadas oficinas nas escolas municipais, intercâmbios com universidades e diversas atividades culturais. É uma oportunidade de fortalecer a nossa história, valorizar nossos artistas e plantar novas sementes para a cultura de Alagoinhas”, afirmou.
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Presente simbólico reforça memória da cidade
Reconhecendo a importância de Alagoinhas na trajetória do fotógrafo, a Fundação Pierre Verger presenteou a cidade com uma fotografia produzida por Verger durante sua passagem pelo município. Escolhida pela professora e historiadora Iraci Gama, a imagem integra agora o acervo da Fundação Iraci Gama (Figam).
A fotografia retrata o antigo prédio da Intendência Municipal, construído em 1875 e inaugurado em 1902, no local onde hoje funciona a Prefeitura de Alagoinhas. O registro remete a um período fundamental da formação histórica do município, quando ainda não havia sido elevado à condição de cidade. “Para nós é uma grande emoção porque a nossa cidade está representada nesse conjunto de fotografias e, agora, recebe um registro que tem um valor histórico enorme. Eu escolhi justamente essa imagem porque ela mostra um prédio muito especial, que marcou uma época da vida de Alagoinhas e que infelizmente foi demolido. Pierre Verger deixou registrado aquilo que já não podemos mais ver. Essa fotografia será preservada pela Figam para que as próximas gerações possam conhecer e compreender um pouco mais da nossa história”, explicou Iraci Gama.
Artistas locais protagonizam programação cultural
A presença dos agentes culturais de Alagoinhas é destaque na Caravana. Entre eles, está Reijane Santos, conhecida como RêInventa, artista, pintora, professora e educadora que representa os criadores locais na iniciativa. “Estamos muito felizes com o protagonismo do nosso trabalho e com a possibilidade de acompanhar o trabalho de um grande artista como Pierre Verger. É muito bonito ver a nossa praça ocupada por um trabalho tão qualificado e perceber como esse espaço ganha uma nova energia. A Caravana também nos permite construir oficinas e levar a arte para as escolas municipais, aproximando diferentes gerações da cultura e da nossa história”, disse.
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Oficinas e apresentações aproximam público da cultura e história
Durante os dez dias de programação, os artistas locais promovem oficinas de desenho, pintura, fotografia, corpo, movimento e musicalidade, além de ações de muralismo e apresentações culturais. As atividades dialogam com temas presentes na obra de Verger, como o cotidiano, o trabalho, a ancestralidade, a cultura popular, a religiosidade e as formas de organização comunitária. Essa circulação cultural reforça o vínculo entre o passado registrado pelo fotógrafo e as expressões culturais atuais, estimulando o acesso do público à riqueza cultural de Alagoinhas e da Bahia.
