Desafios e Oportunidades na Disputa Eleitoral da Bahia
Nas eleições de 2022, o governador Jerônimo Rodrigues, do PT, obteve vitória em 22 dos 27 Territórios de Identidade da Bahia. Por outro lado, ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, conquistou apenas cinco territórios (Costa do Descobrimento, Extremo Sul, Litoral Sul, Metropolitano de Salvador e Portal do Sertão). Essa situação reflete os desafios significativos que a oposição enfrentará nas eleições para o governo estadual em 2026.
Esse contexto levanta uma questão crucial sobre a estratégia da oposição. O único território em que Neto possui uma vantagem substancial em termos de votos é o Território Metropolitano de Salvador. Neste local, está concentrado cerca de 24% do eleitorado baiano. Além disso, Neto conseguiu construir um capital político robusto, acumulado ao longo de quatro mandatos consecutivos de seu grupo político na capital. Assim, dos cinco territórios onde a oposição teve êxito, somente o Metropolitano garantiu a Neto uma vantagem expressiva, totalizando 485 mil votos na última eleição.
A Realidade das Prefeituras e o Desafio da Oposição
É importante ressaltar que a configuração das prefeituras para 2024 ilustra o tamanho do desafio enfrentado pela oposição fora da capital. Os partidos PSD, Avante, PT e MDB formam os quatro pilares que sustentam a hegemonia governista nos territórios, convertendo a presença local em potenciais votos, o que se revela como uma forte estratégia governista. Na Chapada Diamantina, por exemplo, o PSD destacou-se ao vencer em dez prefeituras. O Avante, por sua vez, obteve sucesso no Baixo Sul e no Litoral Sul.
No Portal do Sertão, a disputa foi acirrada, apresentando uma diferença de apenas 2,45 pontos percentuais entre Jerônimo e Neto (48,76% a 51,24%). Isso denota um equilíbrio entre as forças, sendo que a base governista se destacou com o maior número de prefeituras no território: PSD (7), União Brasil (3), MDB (2), Avante (2) e PT (2), evidenciando a força governista em Feira de Santana.
O Confronto Político e suas Implicações
O comportamento do prefeito Bruno Reis, do União Brasil, ao recusar agendar um encontro com o presidente Lula durante o carnaval e ao criticar Lula por supostos excessos, deve ser interpretado como um movimento estratégico e não simples descuido. Ao optar por um discurso mais agressivo em relação ao governo, Reis enfrenta uma pressão política, uma vez que o Território Metropolitano é um ativo crucial para a oposição na Bahia.
Essa pressão vem acompanhada de uma estratégia governista focada em construir projetos significativos na Região Metropolitana. Obras como o VLT, o novo Metrô no Campo Grande, a ponte Salvador-Itaparica e o investimento da montadora BYD em Camaçari são exemplos que demonstram a força da base governista, que se destaca tanto na capital quanto no interior.
A Polarização nos 27 Territórios da Bahia
O embate pelos 27 territórios da Bahia será fundamental para medir a força da polarização política no estado. O cenário sugere que os principais confrontos ocorrerão nas áreas periféricas da capital e nas maiores cidades baianas, onde tanto o governo quanto a oposição já começam a testar suas estratégias desde a pré-campanha.
O acompanhamento atento das movimentações políticas e a análise das dinâmicas territoriais serão essenciais nos próximos meses. O cenário atual é promissor e apresenta desafios e oportunidades a serem explorados por ambos os lados na corrida eleitoral baiana.
