Pressão do Sindicato por pagamento rápido aos demitidos
O Sindicato dos Comerciários de São Paulo intensifica negociações com o grupo Casas Bahia para assegurar o pagamento imediato das verbas rescisórias dos trabalhadores demitidos recentemente. Na semana passada, a rede anunciou o fechamento de 298 lojas e a demissão de quase 2 mil empregados. No domingo (16), a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para tentar conter uma dívida estimada em R$ 17,3 bilhões.
Na terça-feira (18), representantes do sindicato, um advogado da empresa e um funcionário do setor de recursos humanos se reuniram por cerca de duas horas. Ricardo Patah, presidente do UGT (União Geral dos Trabalhadores) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, espera ainda dialogar diretamente com o CEO do grupo, Renato Franklin, para avançar nas negociações.
Medo de atrasos e parcelamentos nas verbas rescisórias
O temor central é que as verbas rescisórias, atualmente incluídas no processo de recuperação judicial, sofram atrasos, sejam parceladas ou pagas com descontos, prejudicando os trabalhadores afetados. Patah reforça que a reivindicação inclui o pagamento imediato, a liberação do Fundo de Garantia, o acesso ao seguro-desemprego e a manutenção do seguro de saúde por um período adicional.
Leia também: Casas Bahia e a Recuperação Judicial: Entenda os Motivos Por Trás da Crise
Leia também: Casas Bahia em Recuperação Judicial: Entenda Seus Direitos e O Que Isso Significa Para Quem Tem Carnê
Além disso, o sindicato solicita que funcionários com longa trajetória na empresa sejam reaproveitados nas lojas que permanecem abertas, preservando empregos e evitando novos cortes.
A Folha de S.Paulo procurou o grupo Casas Bahia por e-mail em dois momentos, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
Recuperação judicial e efeitos para credores trabalhistas
O pedido de recuperação judicial protocolado pelo grupo ressalta que, assim que deferido, os débitos relacionados a ações e execuções de instituições financeiras, fornecedores e credores trabalhistas estarão sujeitos ao plano de recuperação a ser apresentado oportunamente. O sindicato já se habilitou como credor no processo e prepara uma ação anulatória para contestar as demissões em massa sem aviso prévio aos sindicatos.
Leia também: Casas Bahia enfrenta recuperação judicial com dívida bilionária e prejuízo recorde
Leia também: Casas Bahia avalia recuperação judicial diante de prejuízos crescentes
A empresa, durante a reunião, afirmou que o número de desligados em São Paulo não justificaria a ação anulatória, o que mantém o impasse.
Ações coletivas na Grande São Paulo contra a rede
Na região metropolitana, o Secor (Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região) anunciou que entrará com ação coletiva contra as Casas Bahia, pedindo reintegração dos funcionários e indenização por danos morais. A expectativa é que a ação seja protocolada nesta quarta-feira (19).
