O Mercado Livre de Energia e Seus Impactos
Desde a liberação do Mercado Livre de Energia, há pouco mais de dois anos, empresas com consumo mensal superior a R$ 5 mil passaram a ter a opção de mudar de fornecedor. Essa mudança gerou uma intensa concorrência no setor, levando à falência de diversas fornecedoras que não conseguiram atender à demanda. Contudo, o mercado agora está mais consolidado e a disputa entre as mais de 500 empresas que atuam no Brasil exige criatividade e solidez para oferecer preços competitivos sem comprometer o abastecimento.
A história do mercado livre começou em 1998, quando apenas grandes empresas podiam optar por essa modalidade. É comparável ao processo de privatização das telecomunicações, porém de forma gradual. Segundo Rita Knop, diretora comercial da Neoenergia, em 2024, empresas de média tensão também têm a oportunidade de migrar para esse novo cenário, abrangendo nichos como supermercados, academias e pequenas indústrias.
Vantagens do Mercado Livre de Energia
No mercado livre, os consumidores têm a liberdade de escolher seu fornecedor de energia. Eles podem receber a energia contratada diretamente por meio de um transformador dedicado. Importante ressaltar que todas as comercializadoras utilizam o mesmo sistema de transmissão. “A rede de energia é agnóstica ao fornecedor. Quando chego na porta do cliente, existem várias empresas levando energia. É um mercado altamente competitivo”, ressalta Rita Knop.
Essa competitividade permite que as empresas negociem contratos de longo prazo, que podem variar de 4 a 8 anos, proporcionando previsibilidade nos custos. Rita explica que quanto maior o período do contrato, maior pode ser a economia, que varia entre 15% a 25% nas contas de energia.
Caso de Sucesso: Economia em Condomínios
A previsibilidade nos custos foi um fator decisivo para Paula Almeida, síndica do condomínio Ville de Lyon, em Feira de Santana. Com 50 unidades e diversas áreas comuns, o condomínio enfrentava altos custos de energia. Inicialmente, Paula considerou investir em geração própria, mas o investimento era elevado e nem todas as áreas poderiam ser cobertas por placas solares. Em 2022, decidiu pela Neoenergia, o que resultou em uma economia de 30% na conta.
Graças à economia gerada, Paula conseguiu investir no aquecimento da piscina externa e na instalação de novas luzes para o playground, tudo sem aumentar a contribuição dos condôminos. O primeiro contrato de 3 anos foi renovado por mais 5 anos, garantindo continuidade na economia.
Desafios e Riscos do Mercado Livre
Apesar das vantagens, a expansão do mercado livre também trouxe riscos, especialmente no início. Rita Knop menciona o caso da Europa, onde o mercado livre de energia já existe há 20 anos e enfrentou diversas falências. No Brasil, o crescimento acelerado de fornecedores de energia também gerou turbulências. “O preço da energia é bastante volátil e algumas empresas adotam práticas de preços muito baixos. Quando essas empresas menos sólidas fecham, os clientes ficam sem energia”, alerta a diretora da Neoenergia.
Atualmente, as empresas que se consolidaram no mercado competem em um cenário que, em 2025, apresentou um crescimento de 41%, totalizando 82,5 mil clientes. Na Bahia, 3,4 mil consumidores de média tensão já migraram para o mercado livre, o que representa o maior número do Nordeste.
Futuro do Mercado Livre de Energia
Conforme as margens de redução de custos ficam mais estreitas, as empresas buscam diferenciar-se oferecendo serviços adicionais. Além de produzir energia própria, a Neoenergia disponibiliza pacotes de gestão de consumo, com diagnósticos de eficiência, relatórios mensais e serviços de descarbonização.
Para expandir ainda mais esse mercado, novas regras entrarão em vigor: em novembro de 2027, empresas com contas a partir de R$ 500 também poderão migrar, e em novembro de 2028, o acesso será ampliado para todos os consumidores residenciais no Brasil.
Para suportar essa demanda crescente, a Neoenergia tem investido em geração de energia. Um exemplo é o complexo eólico dos Oitis, composto por 12 parques, localizados no Piauí e na Bahia, com capacidade instalada de 566,5 MW, suficiente para abastecer uma cidade com 2,7 milhões de habitantes.
Atualmente, a empresa possui 44 parques eólicos, 4 usinas hidrelétricas e 2 parques solares com capacidade instalada de 3,6 GW, além de projetos adicionais em estudo com potencial de 5,5 GW. Desde 2020, a Neoenergia já aplicou mais de R$ 6,7 bilhões em geração de energia renovável, preparando-se para um futuro mais sustentável e competitivo no setor energético.
