Palestra aborda a saúde mental no jornalismo
A saúde mental dos profissionais de comunicação ganhou destaque em um encontro promovido na noite da última segunda-feira (04/05/2026), em Feira de Santana. O evento, intitulado “Quem cuida de quem informa? O jornalismo na era da sobrecarga de informação”, contou com a presença de jornalistas da cidade, da região e de Salvador. A palestra foi conduzida pelo neurologista Ivar Brandi, que é mestre em Medicina e Saúde e atua na área de Neurologia da Cognição e Comportamento.
A atividade reuniu especialistas e comunicadores para discutir os efeitos emocionais e psicológicos enfrentados por esses profissionais, especialmente em um contexto marcado por exigências de alta produtividade e pela conectividade constante. Com o Dia do Jornalista, celebrado em 7 de abril, como pano de fundo, o evento ofereceu um espaço para reflexão sobre as dinâmicas da profissão.
Impactos da Sobrecarga Informativa
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Durante a palestra, o neurologista apresentou conceitos que ilustram o cenário atual, como “sociedade do cansaço”, “sociedade do desempenho”, “economia da atenção” e “sociedade hiperconectada”. Esses termos elucidam como a pressão por informação impacta diretamente as rotinas dos jornalistas.
Os dados compartilhados mostraram a gravidade do problema. Um levantamento da Agência Senado, publicado em 2024, revelou que aproximadamente 472 mil jornalistas brasileiros tiveram que se afastar por questões de saúde mental, o que equivale a um incremento de 68% em comparação ao ano anterior. No plano internacional, um estudo destacou que 84% dos jornalistas nos Estados Unidos relataram problemas de saúde mental no mesmo período. Para o palestrante, o contexto brasileiro é ainda mais complicado devido à violência urbana, desigualdade social e instabilidade econômica.
Reflexões Sobre cuidado coletivo
Frente a esses dados alarmantes, surgiu a necessidade de uma reflexão sobre o cuidado compartilhado entre os profissionais da comunicação. Ivar Brandi enfatizou que a responsabilidade de cuidar de quem informa deve ser coletiva, envolvendo jornalistas, gestores e empresas. “Quem cuida de quem informa são todos nós”, afirmou o neurologista, ressaltando que não existem soluções isoladas.
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Ele argumentou que é fundamental promover mudanças estruturais e culturais nas organizações para criar ambientes de trabalho mais saudáveis. No final de sua apresentação, Brandi instigou uma reflexão sobre a conexão entre desempenho e adoecimento, questionando como é possível criar uma cultura profissional em que estar doente não seja visto como um sinal de falta de dedicação ou competência. Ele defendeu que a prática do jornalismo não deve comprometer a saúde dos profissionais.
Importância de Espaços de Escuta
A recepção do tema pelos participantes foi bastante positiva. A radialista Lis Braga, de Santo Estêvão, destacou que a discussão é crucial para reconhecer e ampliar o debate sobre a saúde mental na categoria. O jornalista Danilo Guerra também sublinhou a relevância de criar espaços de acolhimento e pausa na rotina profissional, considerando que o fluxo contínuo de informação exige momentos de recuperação.
Essas falas refletem uma consciência crescente de que o cuidado com a saúde mental deve ser uma prioridade nas redações e nas práticas jornalísticas, promovendo a empatia e o suporte mútuo entre os profissionais.
O Papel das Empresas na Promoção do Bem-Estar
O encontro também contou com a presença de João Corte-Real, diretor da Minor Hotels no Nordeste brasileiro, que abordou a pressão enfrentada por diversas profissões, especialmente no jornalismo. Ele enfatizou que a escolha do tema visa reconhecer esses desafios e estimular um diálogo estruturado sobre a saúde mental, alinhada à valorização do trabalho dos comunicadores.
Além de proporcionar conhecimento técnico, o evento atuou como um espaço de convivência, promovendo o fortalecimento de vínculos entre os participantes e a construção de redes de apoio, aspectos essenciais na prevenção de transtornos mentais. Assim, o encontro não só trouxe à tona questões prementes da saúde mental no jornalismo, como também promoveu um ambiente propício ao compartilhamento de experiências e à solidariedade profissional.
