O Marco da Comunicação em Feira de Santana
A coluna “Feira em História”, escrita pelo jornalista Zadir Marques Porto, destaca eventos históricos e curiosidades relacionadas a Feira de Santana. Um dos marcos significativos na trajetória da comunicação local foi a criação da primeira sucursal do Jornal da Bahia na cidade, um feito que deve muito ao idealismo de Franklin de Cerqueira Machado.
No início da década de 1960, Feira de Santana, com uma população superior a 140 mil habitantes, já contava com algumas fontes de informação, como as emissoras de rádio Onda Média e o jornal Folha do Norte, fundado em 1909. Apesar da presença de jornais de Salvador, como o Jornal da Bahia, Diário de Notícias e A Tarde, a cidade ainda não tinha um meio de comunicação que a representasse de forma contundente. O estudante de Direito Franklin Machado, ainda em Salvador, começou a contribuir com a imprensa local através de notas e artigos, notoriamente na Folha do Norte, onde mantinha a coluna ‘Machadadas’.
Com um espírito empreendedor e uma visão aguçada, Franklin percebeu a necessidade de Feira de Santana ter um espaço próprio na mídia. A partir daí, ele procurou João Falcão, proprietário do Jornal da Bahia, que já tinha uma influência significativa na política e na comunicação. Após uma conversa persuasiva, Falcão concordou em abrir uma sucursal na cidade, que se tornaria um divisor de águas no cenário jornalístico local.
A Sucursal e seu Impacto
No ano de 1965, a Sucursal do Jornal da Bahia foi oficialmente inaugurada em uma sala alugada na Rua Conselheiro Franco. Franklin, que tinha recentemente finalizado seu curso em jornalismo, ficou encarregado de sua operação. Nesse período, o trabalho era feito manualmente, utilizando máquinas de escrever, e os textos eram enviados para Salvador em malotes. Para registrar os acontecimentos locais, contavam com a colaboração do fotógrafo Eclisônio Gonçalves Silva, conhecido como “seu Incha”.
O surgimento da sucursal trouxe um novo fôlego ao jornalismo na cidade, atraindo jovens que se interessavam pela área e ampliando as oportunidades de trabalho, como a venda de assinaturas e anúncios. Com o sucesso, a Sucursal JB rapidamente alcançou mais de 500 assinaturas, um feito notável para a época. Franklin relatou que recebia 50% da receita gerada por assinaturas e anúncios, o que, em termos financeiros, representava um ganho significativo, além da satisfação de poder elevar o prestígio de Feira de Santana através da informação.
Contribuições e Legado de Franklin Machado
Franklin Machado, que hoje é um respeitado cordelista e conhecido como Maxado Nordestino, recorda com carinho sua contribuição ao jornalismo local. Ele fez questão de ressaltar que, embora algumas notícias negativas precisassem ser veiculadas, o foco sempre foi ressaltar os avanços e o desenvolvimento da cidade. De 1965 a 1967, ele ficou à frente da sucursal, antes de se mudar para o Diário de Notícias, que se tornaria a segunda representação de um jornal da capital em Feira de Santana.
O Diário de Notícias, vinculado aos Diários Associados de Assis Chateaubriand, instalou-se em um prédio na Praça João Pedreira e, assim como o Jornal da Bahia, contribuiu para a expansão da imprensa na cidade. Após se mudar para o Sudeste, Franklin continuou sua carreira, dedicando-se à produção de cordéis que se tornaram populares, incluindo obras que narravam histórias curiosas e intrigantes do cotidiano.
A trajetória de Franklin Machado não é apenas um exemplo de empreendedorismo, mas reflete a evolução da comunicação em Feira de Santana. Com a instalação de sucursais como a do Jornal da Bahia e do Diário de Notícias, a cidade passou a ser um polo de informações, inspirando muitos jovens a seguir a carreira de jornalistas. Na década de 1970, todos os jornais da capital baiana já estavam presentes na cidade, solidificando a importância da comunicação local e contribuindo para um cenário mais informativo e dinâmico.
