Economia baiana perde ritmo após 2007
O desempenho econômico da Bahia sofreu uma clara desaceleração a partir de 2007, quando o Partido dos Trabalhadores (PT) assumiu o governo estadual com Jaques Wagner. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, apesar de ter crescido acima das médias nacional e regional entre 2003 e 2006, o estado teve o menor crescimento acumulado do Produto Interno Bruto (PIB) entre todos os estados brasileiros no período entre 2007 e 2023.
Nos quatro anos anteriores a 2007, o PIB da Bahia avançou 20,1%, superando o crescimento do Nordeste e do Brasil. Já de 2007 a 2023, sob os governos de Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues, o crescimento acumulado foi de apenas 24,7%, número inferior ao avanço nacional de 35,8%. Isso significa que o Brasil cresceu cerca de 53% mais que a Bahia no mesmo intervalo.
Impactos diretos no mercado de trabalho e na renda
O ritmo menor de crescimento econômico tem consequências palpáveis para a população baiana. A menor expansão compromete a geração de empregos formais, a ampliação da renda das famílias e a atração de investimentos que poderiam fomentar negócios locais e ampliar oportunidades, especialmente para jovens, mulheres e a população negra, que é maioria no estado.
Vinicius Assis, CEO da Ônix Capital, destaca que a Bahia mantém sua importância pelo tamanho e diversidade econômica, mas enfrenta o desafio de traduzir esse peso em renda efetiva para os baianos. “O PIB per capita decepciona e há um desafio grande em converter essa riqueza em renda”, afirma. A desaceleração também contribui para o crescimento da informalidade, uma vez que os salários não acompanham a evolução esperada e a proteção social diminui.
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
Consequências para municípios e economia local
O crescimento econômico abaixo da média nacional e regional prejudica diretamente os municípios baianos. A chegada de grandes empreendimentos impulsiona uma cadeia produtiva que inclui fornecedores, prestadores de serviços e comércio local, gerando empregos e circulação de renda. Quando a Bahia cresce menos, deixa de produzir riqueza, criar negócios e gerar oportunidades para sua população.
Antes e depois do ciclo petista
Entre 2003 e 2006, o PIB baiano cresceu a uma média anual de 4,7%, acumulando 20,1% no período, superando o Nordeste (17,7%) e o Brasil (14,8%). Esse crescimento refletiu investimentos estruturantes, como o Polo Automobilístico da Ford em Camaçari e a consolidação do Polo Petroquímico.
Após 2007, o ritmo mudou. De 2007 a 2010, o crescimento foi de 16,6%, inferior ao Nordeste (18,8%) e ao Brasil (19,7%). De 2011 a 2014, o avanço caiu para 8,9%, abaixo do Nordeste (13,6%) e do país (9,7%).
Recessão agravou a perda de dinamismo
Durante a recessão nacional entre 2015 e 2018, a Bahia sofreu retração de 7,3% no PIB, mais intensa que a do Nordeste (-4,5%) e do Brasil (-3,8%). Em 2020, a pandemia aprofundou a queda, com retração de 4,4%, contra 4,1% no Nordeste e 3,3% nacionalmente.
Apesar da retomada econômica nos anos seguintes, o estado não recuperou sua posição relativa. Entre 2019 e 2022, o crescimento acumulado foi de apenas 3,5%, novamente inferior ao Nordeste (4,8%) e ao Brasil (5,7%).
Perda de representatividade regional
A participação da Bahia no PIB do Nordeste diminuiu de 30,6% (2003-2006) para 28,5% (2007-2023), recuo superior a 2 pontos percentuais. Enquanto manteve a liderança absoluta na região, o estado perdeu espaço relativo para estados que avançaram mais rapidamente, como Piauí, Maranhão, Paraíba e Ceará.
Vinicius Assis ressalta que a Bahia sofreu com o fechamento da Ford em 2021, o que impactou a cadeia automotiva. O estado mantém forte concentração nos serviços tradicionais em Salvador e região metropolitana, setores que não geram alta produtividade nem crescimento acelerado.
Ausência de grandes investimentos estruturantes
A desaceleração também se relaciona à falta de grandes projetos capazes de transformar a economia local. Grandes ciclos anteriores foram motivados por empreendimentos como o Centro Industrial de Aratu, o Polo Petroquímico de Camaçari e o Polo de Celulose do Extremo Sul. A saída da Ford deixou uma lacuna industrial que apenas agora começa a ser parcialmente preenchida com a fábrica da chinesa BYD em Camaçari.
